A apostasia dos últimos
dias.
“Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos
apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrina
de demônios; Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a
sua própria consciência;” I Timóteo 4:1 e 2.
Quanto a
história dos reis de Israel no Antigo Testamento, podemos observar que alguns
agradavam a Deus em suas práticas e outros o desagradavam. Na história dos reis
que não agradavam a Deus vemos que a principal prática de desobediência era a
idolatria, onde eles se prostravam diante de outros deuses, sacrificavam nos
montes e traziam para o povo práticas pagãs. E se diz desses reis que fizeram o
que era mau aos olhos do Senhor, dos reis obedientes a Deus se diz que fizeram
o que era reto aos olhos do Senhor.
A principal tarefa
dos reis que agradaram a Deus era desfazer o que os maus reis haviam feito,
retirando os ídolos do meio do povo, abolindo os sacrifícios pagãos, etc. O
povo de Israel estava sempre aberto às práticas idólatras e as recebiam com
muita facilidade, a humanidade está sempre inclinada a fazer aquilo que não
agrada a Deus. Isso não quer dizer que o rejeitem em seus corações, muito pelo
contrário, a intenção não é rejeitá-lo. A idolatria é sedutora e não se traduz
na retirada de Deus da vida do homem, mas a inclusão de falsos deuses. No
entanto Deus não admite dividir sua glória com absolutamente nada e não aprova
esta conduta e ele é quem se afasta.
Quando o
homem se volta para práticas idólatras, está à procura de algo que reafirme a
sua fé, algo tangível, palpável que o ajude a acreditar na sua religiosidade e
nas bênçãos espirituais que tanto busca. O difícil para nós pobres mortais é
compreender que ao admitir e aceitar a idolatria, Deus se afasta de nós porque
estamos em pecado. Nem sempre conseguimos enxergar a ausência dele em nossas
vidas porque estamos ocupados demais e envolvidos em mentiras que criamos para
nos manter voltados para estas coisas que nos ajudam a acreditar naquilo que
queremos acreditar e não no que Deus quer que enxerguemos. Não são apenas os líderes
religiosos que nos mantém aprisionados à idolatria, mas nossas mentes são
seladas por nós mesmos para não perder aquilo que nos mantém confiantes em
vitórias almejamos alcançar.
A igreja
evangélica no Brasil tem adotado práticas idólatras em busca de bênçãos materiais,
espirituais, curas, libertação, etc. E tem usado a própria Bíblia na tentativa
de embasar suas crendices, distorcendo-a sem o saber. A busca insaciável por
bens materiais ocupa um espaço considerável dos corações dos homens e a
inserção de uma palavra inspiradora em cada culto que deveria ser direcionado
apenas para a adoração a Deus. A busca por libertação é motivo da existência de
grandes campanhas acompanhadas de práticas duvidosas, quando a palavra de Deus
nos diz que conhecereis a verdade e ela vos libertará. A busca por experiências
sobrenaturais transformou cultos que deveriam ser única e exclusivamente para
agradar a Deus em espetáculos e manifestações carnais que envergonham o
evangelho, acompanhadas de mentiras e profecias demoníacas que contradizem a
palavra de Deus.
Além de
todos os absurdos que permeiam os templos espalhados pelo país, as pequenas
mentiras e distorções da verdade que estão encrustados no interior de cada um
de nós, à primeira vista não oferecem grandes riscos à vida espiritual, mas
causam distanciamento de Deus e de sua vontade para as nossas vidas. Dizer que
profetiza bênção, tem se tornado cada vez mais comum, mas a prática distorce o
sentido da palavra profetizar que deve ser utilizada apenas quando Deus usa um
profeta para falar ao seu povo, e não a atitude de um simples servo de Deus ‘determinando’
bênçãos para si ou para outra pessoa. Fazer quebra de maldições seguidos de processos
de libertação são práticas que não tem embasamento bíblico e fazem parecer que
todas as pessoas têm demônios, quando na verdade as pessoas que precisam de
libertação não recebem acompanhamento de seus pastores e não conseguem ser
libertas de verdade. A ‘adoração’ extravagante que causa desordem e indecência,
em alguns casos, traduz a total falta de temor a Deus. A falta de constância na
entrega dos dízimos e ofertas, na verdade, não destrói as finanças com a
entrada de demônios devoradores, mesmo que a entrega dos dízimos seja uma
responsabilidade de todos e atitude de quem realmente ama a Deus. O uso de
lenços, rosas, sal, e qualquer objeto usado como amuleto é prática idólatra, e
em alguns casos até a própria Bíblia é usada desta forma.
Estas e
outras práticas observadas, das quais muitas já acreditei e fiz uso das mesmas,
enganam até pessoas retas e conhecedoras da palavra de Deus, mas também são
ferramentas eficazes nas mãos dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas
e não as apascenta, mas apascentam a si mesmos, como vemos em Jeremias 23. São
líderes religiosos que usam de engano e adulteram a palavra do Senhor em
benefício próprio. Mas isso não nos exime das nossas responsabilidades e nos
mostra que na verdade os maiores culpados somos nós quando buscamos tais práticas
e fazemos delas atalhos na tentativa de alcançar aquilo que almejamos e de realizar
nossos sonhos: “Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo
comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas concupiscências;
e desviarão os ouvidos da verdade voltando às fábulas.” II Timóteo 04:03 e 04.
Podemos
criticar e julgar os outros, ou voltar nossos olhos para nós mesmos e entender
aquilo que nos afasta de Deus. Abolir a idolatria que está arraigada no meio
evangélico, nos despojar do velho homem que precisa de algo mais que a palavra
de Deus para manter algum tipo de fé, mesmo que falsa e que destrói a verdadeira
comunhão com Deus. Sempre é tempo de mudar, sempre estaremos aprendendo mais e enxergando
erros em nós mesmos, porque somos falhos. Precisamos de humildade para
reconhecer aquilo que afasta o Espírito Santo de nós, precisamos estar prontos
para ouvir Deus falar conosco e nos repreender. Voltemo-nos para o Senhor, sem
interesses pessoais em jogo, sem aspirações egoístas que nos corrompem. Façamos
cultos de adoração àquele que é digno de receber adoração genuína. Abracemos a
verdade e nada mais que a verdade. Sejamos retos e puros de coração, pois isso
é agradável a Deus.
