segunda-feira, 13 de abril de 2015

A apostasia dos últimos dias.


“Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrina de demônios; Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência;” I Timóteo 4:1 e 2.


            Quanto a história dos reis de Israel no Antigo Testamento, podemos observar que alguns agradavam a Deus em suas práticas e outros o desagradavam. Na história dos reis que não agradavam a Deus vemos que a principal prática de desobediência era a idolatria, onde eles se prostravam diante de outros deuses, sacrificavam nos montes e traziam para o povo práticas pagãs. E se diz desses reis que fizeram o que era mau aos olhos do Senhor, dos reis obedientes a Deus se diz que fizeram o que era reto aos olhos do Senhor.
            A principal tarefa dos reis que agradaram a Deus era desfazer o que os maus reis haviam feito, retirando os ídolos do meio do povo, abolindo os sacrifícios pagãos, etc. O povo de Israel estava sempre aberto às práticas idólatras e as recebiam com muita facilidade, a humanidade está sempre inclinada a fazer aquilo que não agrada a Deus. Isso não quer dizer que o rejeitem em seus corações, muito pelo contrário, a intenção não é rejeitá-lo. A idolatria é sedutora e não se traduz na retirada de Deus da vida do homem, mas a inclusão de falsos deuses. No entanto Deus não admite dividir sua glória com absolutamente nada e não aprova esta conduta e ele é quem se afasta.
            Quando o homem se volta para práticas idólatras, está à procura de algo que reafirme a sua fé, algo tangível, palpável que o ajude a acreditar na sua religiosidade e nas bênçãos espirituais que tanto busca. O difícil para nós pobres mortais é compreender que ao admitir e aceitar a idolatria, Deus se afasta de nós porque estamos em pecado. Nem sempre conseguimos enxergar a ausência dele em nossas vidas porque estamos ocupados demais e envolvidos em mentiras que criamos para nos manter voltados para estas coisas que nos ajudam a acreditar naquilo que queremos acreditar e não no que Deus quer que enxerguemos. Não são apenas os líderes religiosos que nos mantém aprisionados à idolatria, mas nossas mentes são seladas por nós mesmos para não perder aquilo que nos mantém confiantes em vitórias almejamos alcançar.
            A igreja evangélica no Brasil tem adotado práticas idólatras em busca de bênçãos materiais, espirituais, curas, libertação, etc. E tem usado a própria Bíblia na tentativa de embasar suas crendices, distorcendo-a sem o saber. A busca insaciável por bens materiais ocupa um espaço considerável dos corações dos homens e a inserção de uma palavra inspiradora em cada culto que deveria ser direcionado apenas para a adoração a Deus. A busca por libertação é motivo da existência de grandes campanhas acompanhadas de práticas duvidosas, quando a palavra de Deus nos diz que conhecereis a verdade e ela vos libertará. A busca por experiências sobrenaturais transformou cultos que deveriam ser única e exclusivamente para agradar a Deus em espetáculos e manifestações carnais que envergonham o evangelho, acompanhadas de mentiras e profecias demoníacas que contradizem a palavra de Deus.  
            Além de todos os absurdos que permeiam os templos espalhados pelo país, as pequenas mentiras e distorções da verdade que estão encrustados no interior de cada um de nós, à primeira vista não oferecem grandes riscos à vida espiritual, mas causam distanciamento de Deus e de sua vontade para as nossas vidas. Dizer que profetiza bênção, tem se tornado cada vez mais comum, mas a prática distorce o sentido da palavra profetizar que deve ser utilizada apenas quando Deus usa um profeta para falar ao seu povo, e não a atitude de um simples servo de Deus ‘determinando’ bênçãos para si ou para outra pessoa. Fazer quebra de maldições seguidos de processos de libertação são práticas que não tem embasamento bíblico e fazem parecer que todas as pessoas têm demônios, quando na verdade as pessoas que precisam de libertação não recebem acompanhamento de seus pastores e não conseguem ser libertas de verdade. A ‘adoração’ extravagante que causa desordem e indecência, em alguns casos, traduz a total falta de temor a Deus. A falta de constância na entrega dos dízimos e ofertas, na verdade, não destrói as finanças com a entrada de demônios devoradores, mesmo que a entrega dos dízimos seja uma responsabilidade de todos e atitude de quem realmente ama a Deus. O uso de lenços, rosas, sal, e qualquer objeto usado como amuleto é prática idólatra, e em alguns casos até a própria Bíblia é usada desta forma.
            Estas e outras práticas observadas, das quais muitas já acreditei e fiz uso das mesmas, enganam até pessoas retas e conhecedoras da palavra de Deus, mas também são ferramentas eficazes nas mãos dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas e não as apascenta, mas apascentam a si mesmos, como vemos em Jeremias 23. São líderes religiosos que usam de engano e adulteram a palavra do Senhor em benefício próprio. Mas isso não nos exime das nossas responsabilidades e nos mostra que na verdade os maiores culpados somos nós quando buscamos tais práticas e fazemos delas atalhos na tentativa de alcançar aquilo que almejamos e de realizar nossos sonhos: “Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade voltando às fábulas.” II Timóteo 04:03 e 04.

            Podemos criticar e julgar os outros, ou voltar nossos olhos para nós mesmos e entender aquilo que nos afasta de Deus. Abolir a idolatria que está arraigada no meio evangélico, nos despojar do velho homem que precisa de algo mais que a palavra de Deus para manter algum tipo de fé, mesmo que falsa e que destrói a verdadeira comunhão com Deus. Sempre é tempo de mudar, sempre estaremos aprendendo mais e enxergando erros em nós mesmos, porque somos falhos. Precisamos de humildade para reconhecer aquilo que afasta o Espírito Santo de nós, precisamos estar prontos para ouvir Deus falar conosco e nos repreender. Voltemo-nos para o Senhor, sem interesses pessoais em jogo, sem aspirações egoístas que nos corrompem. Façamos cultos de adoração àquele que é digno de receber adoração genuína. Abracemos a verdade e nada mais que a verdade. Sejamos retos e puros de coração, pois isso é agradável a Deus.