segunda-feira, 20 de junho de 2016

Estou pronto! 

“Mas Paulo respondeu: Que fazeis vós, chorando e magoando-me o coração? Porque eu estou pronto não só a ser ligado, mas ainda a morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus.” Atos 21:13

O que estamos dispostos a fazer por amor a Cristo? Quanto temos entregado a ele de nossas vidas e quanto estamos dispostos a entregar? Não que o Senhor espere de nós algum sacrifício de tolo, mas obediência sem medir consequências. Nós nem imaginamos até onde vai nosso amor por ele até sermos provados, e somos. Deus nos permite passar por situações que provem a profundidade do amor que temos por ele para que possamos ser fortalecidos com estas experiências.
            Paulo era um homem que amava demais a Deus, e teve a oportunidade de entender esse amor que ele próprio sentia. Quando Ágabo, um profeta da Judéia, profetizou que ele seria preso em Jerusalém. Todos temeram e alertaram a Paulo que não fosse à Jerusalém, mas sua resposta foi imediata, sem deixar dúvidas. Ele sabia em seu coração que seria preso e até morreria por amor ao Senhor, estava pronto para sofrer qualquer coisa pois tinha convicção de seu chamado e de sua posição no reino. Mesmo sendo apóstolo, sua convicção de servo de Cristo o mantinha conformado que teria que enfrentar perseguições e servir, simplesmente servir. Tanto na sinagoga, quanto na prisão; tanto num púlpito, como num porão.
            Nossas escolhas refletem nosso comprometimento com o reino de Deus e o amor que verdadeiramente sentimos por ele. Ontem minha filha Gabriela disse que queria ir pra China, quando questionamos o motivo, disse que pregaria o evangelho porque sabe que lá essa prática é proibida. Dissemos que lá eles perseguem e matam quem se dispõe a fazer isto, mas sua resposta foi surpreendente. Disse que sabia disso tudo e mesmo assim estava disposta a ir. As promessas de uma criança podem não significar nada para nós, mas o fato deste desejo existir no coração dela, nos faz parecer tão medíocres e egoístas com as escolhas que fazemos. Queremos fazer por Deus coisas das quais consigamos medir as consequências e os riscos. Estabelecemos um limite do que estamos dispostos as fazer, criamos regras que digam o que devemos e o que não devemos arriscar por ele. Mas Paulo não tinha estas regras, estes limites. Estava disposto a ir até às últimas consequências, arriscou tudo o que tinha, abriu mão de planos e sonhos próprios pelos de Deus.

Precisamos refletir sobre o que conseguimos aprender com o exemplo deste apóstolo-servo e quanto esta entrega que ele fez vai nos influenciar. A palavra de Deus nos foi deixada justamente para que víssemos a história de muitos homens e mulheres de Deus que marcaram sua época e foram instrumentos nas mãos dele. Somos capazes de fazer muito mais. Não podemos esperar reconhecimento, nossa recompensa será na vida vindoura, na casa celestial, onde seremos plenamente felizes e satisfeitos, para glória de Deus Pai.        

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Considerando os outros superiores a nós.
(Para ter o coração curado)


“Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmos.” Filipenses 2:3

            Esta ideia de considerar os outros superiores a nós é um tanto desafiadora. Ouvimos desde pequenos que ‘todas as pessoas são iguais’, que ‘todos têm o mesmo valor’, que ‘ninguém é melhor que ninguém’. Fomos ensinados que independente de classe social, cor da pele, raça ou o que quer que seja, somos todos iguais. Então abrimos a Bíblia e vemos o Apóstolo Paulo dizer que nós temos que considerar os outros superiores a nós mesmos. Isso é bastante contraditório com o que pensamos e com a forma que enxergamos as coisas.          
            Se tentarmos entender isto para colocar em prática, precisamos nos esforçar para chegar a uma conclusão mais próxima possível da vontade de Deus. É preciso abrir mão dos nossos conceitos e valores, das nossas convicções e nos esforçarmos ainda mais para colocar esse ideal em prática. Mas precisamos aprender a nos lançar desafios todos os dias, pois ser cristão é um desafio. Nos acomodamos por viver em uma sociedade que não lança os cristãos na arena com leões, mas nos esquecemos que viver com Cristo é conflitante com os valores do mundo. Praticar as verdades que encontramos na palavra de Deus pode parecer fácil se a lermos e vivermos superficialmente, se acreditarmos que ir à igreja aos domingos é suficiente e Deus deve se orgulhar muito de nós como seus filhos, por sermos tão assíduos aos cultos. Mas não é bem assim.
            Temos lido e vivido a palavra de Deus acreditando que tudo o que fazemos que seja notável aos olhos dos outros é suficiente, mesmo que esta palavra não faça parte de nós e não a amemos ou gastemos tempo tentando entendê-la e analisando de que forma podemos vivê-la. Deus não quer migalhas, ele quer que estejamos comprometidos totalmente com ele e que a aliança que existe entre nós se estenda para os demais relacionamentos que temos. Considerar os outros superiores a nós é um desafio que precisamos nos lançar a cada dia.
            Quando acreditamos que a verdade é sempre necessária, estamos considerando os outros superiores a nós. Quando decidimos não falar da vida alheia para não espalhar boatos, consideramos os outros superiores a nós. Quando somos gentis e oferecemos nosso assento para outra pessoa independente de sua idade, sexo, etc, consideramos esta pessoa superior, porque acreditamos que podemos ficar em pé, mas ela não. Quando pedimos perdão mesmo estando com a razão em uma desavença, e aceitamos que o outro acredite estar certo, estamos considerando-o superior a nós. Quando dividimos o que temos com os nossos irmãos acreditamos que eles são superiores a nós, acreditamos a tal ponto de abrirmos mão dos nossos recursos e de algo que batalhamos para comprar e do qual necessitamos também. Existem infinitas situações em que podemos considerar outra pessoa superior a nós.
            Considerar alguém superior não diminui o valor que temos, mas nos conduz a uma vida cada vez mais simples. Precisamos entender que a porta é estreita e que devemos nos desapegar do orgulho, das riquezas, da soberba e de tudo o que nos impede de adentrar os portões celestiais. Diferente de como somos como pais, Deus não espera que sejamos os mais inteligentes, os mais ricos, os mais bonitos, ele espera que nos pareçamos mais com Cristo. Esta verdade nos permite ter o coração curado porque entendemos que não podemos esperar que o mundo seja gentil conosco para sermos felizes. Temos que ser gentis mesmo que recebamos desaforos em troca, mesmo que soframos perseguições, ou ingratidão.

            Esta é a verdade que liberta. Temos que deixar a mágoa, a dor, a tristeza de lado. Temos de deixar os nossos corações que foram amarrotados pelo mundo nas mãos do nosso Salvador, para que ele o restaure e nos fortaleça nesta missão de ser luz em meio às trevas, de retribuir o mal com o bem. Que o Senhor nos abençoe ricamente e nos capacite a entender sua vontade, para glória do seu nome.     

terça-feira, 3 de maio de 2016

Sofrer o dano. (Para ter o coração curado)


“Na verdade é já realmente uma falta entre vós, terdes demandas uns contra os outros. Porque não sofreis antes a injustiça? Porque não sofreis antes o dano? I Coríntios 06:07

            Sofrer o dano? O que Paulo quis dizer com isso? Que língua é essa que ele falava? É difícil entender isso, porque estamos com o coração carregado de orgulho e em nome dele descarregamos as nossas frustrações em tudo, no mundo, no cachorro, no amigo, no parente mais próximo.
            Somos ensinados de pequenos a não levar desaforo para casa, a não sair apanhados, a não demonstrar fraqueza, a revidar. Isso está enraizado em nós. Aprendemos a ter a resposta na ponta da língua, a não aceitar afronta. E quando somos ensinados a perdoar, aprendemos que toda estória tem dois lados e perdoamos porque existem mal-entendidos. Se soubermos que aquela pessoa realmente teve a intenção de ferir, tudo muda nossa decisão em relação ao perdão. Uma mulher pode enganosamente ser levada a pensar que deve perdoar o marido que a traiu, porque ela foi uma esposa ruim e a culpada da traição. Um pai perdoa seu filho rebelde, porque possivelmente lhe ofereceu uma educação deficitária. Mas perdoamos quando sabemos que não há desculpas para o erro? Perdoamos pelo simples fato de estarmos dispostos a livrar alguém de sua culpa?
            Em Romanos 12:9 diz: “A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas, perante todos os homens.” Isso quer dizer que mesmo que alguém tenha a intenção de nos causar dano, não podemos revidar, e isso vai além do perdão tardio, trata-se de um perdão concomitante às agressões. Abaixar a cabeça, calar diante da afronta, suportar a dor e a vergonha de sofrer um agravo. Quanto estamos dispostos a renunciar por amor ao evangelho? Não discutir com alguém que furou a fila, não revidar a um mal atendimento em um órgão público, não brigar no trânsito nem buzinar desesperadamente, ouvir alguém que você ama te ofender em silêncio. Para Paulo estas são as atitudes que devem fazer sentido para nós, mesmo que não façam para o mundo. Sofrer o dano, ficar no prejuízo, lidar com perdas, com a vergonha, passar humilhação. Este é o evangelho genuíno que precisamos viver, não apenas pregar.
            Quando agimos assim, demonstramos o amor que Cristo demonstrou a pecadores, ladrões, assassinos. Em Isaías 53:07 diz: “Ele foi oprimido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e, como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a sua boca.” Veja que a expressão: ‘não abriu a sua boca’ aparece duas vezes no mesmo versículo. Ele foi cuspido, chicoteado, escarneceram dele e mesmo assim não tentou se justificar. Não tentou se explicar, dar satisfação e dizer que tudo aquilo era um mal-entendido, afinal, ele nunca havia cometido pecado. Ele não tentou convencer as pessoas de que não merecia nada do que estava sofrendo, mas quando sofremos uma injustiça tentamos esclarecer tudo para que todos saibam que aquilo não deveria acontecer.
            É difícil passar pela dor da traição ou de uma agressão e estar disposto a liberar perdão genuíno e ser motivo de chacota porque ainda andamos com aquela pessoa que nos feriu e que não é mais digna da nossa amizade. E o perdão verdadeiro requer que a aliança seja refeita. É preciso voltar a caminhar e reconstruir o que foi desfeito. Reconstruir a amizade, o amor, o compromisso de cuidar e estar ao lado. É preciso estar disposto a tratar bem quem te trata mal no momento em que se está sofrendo a injustiça. Olhar para dentro do coração da outra pessoa e se compadecer de quem não consegue amar sinceramente, ou não sabe. Amar a pessoa que mora na mesma casa que moramos, a pessoa que dorme na mesma cama que dormimos, a pessoa que prometeu fidelidade, assim como a pessoa que vimos pela primeira vez, que talvez nem saibamos o nome.
            O amor vê além das limitações dos outros, vê além da maldade, vê além do egoísmo, vê além da falta de escrúpulos. O amor está disposto a entregar o bem em troca do mal. O amor “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”(I Coríntios 13:7. Temos que deixar nossas convicções de lado e abraçar o evangelho de Cristo, que não se parece com nada do que aprendemos, ouvimos, enxergamos, ou seja, o evangelho que descobrimos através das sagradas escrituras. De entrega, de devoção. Que o Senhor nos capacite a conhecer este evangelho para que seja colocado em prática nas nossas vidas para glória do seu nome.    


quinta-feira, 28 de abril de 2016

Para ter o coração curado!

“Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; e ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te o vestido, larga-lhe também a capa; e, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes.” Mateus 05:39 ao 42.

Para ter um coração curado, precisamos muitas vezes perdoar. E o perdão genuíno não é aquele que esquece, mas o que não faz questão de lembrar. É impossível esquecer algo que nos feriu, mas é possível lidar com a dor de termos sofrido, e mesmo assim tomar a decisão de liberar aquela pessoa da culpa. O perdão torna-se mais fácil quando percebemos que quem nos feriu se arrepende e até externa o seu arrependimento com um pedido de perdão, mas ele deve ser liberado independe da atitude da outra pessoa.
Enquanto o perdão é entendido como um sentimento, visto que nossas relações são baseadas pelo que sentimos, por vezes achamos que se não sentirmos desejo de perdoar estaremos sendo hipócritas. Mas na verdade o perdão é uma decisão, e muitas vezes é difícil e dolorosa. Se analisarmos o que Cristo nos ensinou sobre o perdão, vemos que ele nos pede que façamos decisões que nos levem a colocar todos os nossos sentimentos de lado. E não apenas os sentimentos, mas é uma atitude de renúncia ao ego e a algo que criamos sentimentalmente ao nosso redor que é um conjunto de valores que reafirma e atribui importância a nós mesmos. Jesus disse que se alguém nos bater na face direita, temos que oferecer a outra. Quando sofremos uma agressão, passamos por um trauma e isso abala nossa autoestima, ou nos iramos, mas algum sentimento que altera esta áurea de valores que criamos é afetada e invadida de tal forma que acreditamos ter que tomar alguma atitude para recompô-la. Por vezes nos afastamos, em outros momentos revidamos, mas esse tipo de circunstância sempre nos magoa.
Então Cristo nos diz que temos que deixar todos os sentimentos de lado e assim virar a outra face, ou seja, perdoar e continuar cara a cara com o agressor dando-lhe a oportunidade de escolher se vai nos agredir novamente ou se vai ter uma atitude mais sensata da próxima vez. Mas independente da atitude desta pessoa, nos expomos ao risco de sofrer novamente e abrimos mão de algo importante para nós, a ‘vergonha na cara’. Ele nos cobra que sejamos bons com as pessoas assim como ele é. Diz que se alguém nos pedir o vestido, temos que dar também a capa. Se alguém nos obrigar a caminhar uma milha, temos que ir com esta pessoa duas milhas, dar a quem pedir e emprestar a quem quiser que empreste algo. É preciso amar também o inimigo e orar pelos que nos maltratam. Este evangelho parece duro e pesado demais e que vai além das nossas forças e possibilidades.
O problema é que aprendemos através das relações que temos ao longo da vida sobre a autovalorização do ser humano, quando na verdade somos uma pequena parte do reino de Deus. Atualmente nossa sociedade é antropocêntrica (o homem como o centro do universo) e não Cristocêntrica (Cristo o centro do universo), como deveria ser. O perdão como Cristo nos ensinou não faz sentido porque atribuímos valor demais a nós mesmos e não conseguimos enxergar nossa posição no reino de Deus. Se tivermos que perdoar mil vezes a mesma pessoa, teremos que fazer isto. Se tivermos que passar a humilhação de sermos motivo de riso por andar lado a lado com quem nos traiu, mesmo assim teremos que fazer isto. Se tivermos que ser considerados idiotas e tolos, que assim seja.

Temos que estar dispostos a estabelecer o reino de Deus nesta terra mesmo que isso nos custe a própria vida como custou a vida dos crentes da igreja primitiva. Quando entendermos a importância da entrega e da renúncia que precisamos fazer cotidianamente, mesmo que isso nos custe muito, estaremos entendendo a vontade do pai. E para termos um coração curado, não precisamos de sermões bonitos e entusiasmantes, ou motivadores. É preciso ser forte e tomar decisões difíceis que vão além das nossas necessidades e enxergar as consequências delas no reino espiritual. Assim seremos verdadeiramente servos do Deus Altíssimo e teremos, sim, um coração curado para glória do seu nome.  

segunda-feira, 14 de março de 2016

A maior prova de amor!

E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. E, repartindo as suas vestes, lançaram sortes.” Lucas 23:34.

 Quando Jesus disse: vinde a mim todos vos que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei. Era um convite a todos. Quem não está cansado, ou sobrecarregado? Fomos a Cristo porque ele era tudo de que precisávamos. Estamos incompletos sem ele, e sua presença nos basta em todo o tempo, em qualquer momento. Se o fardo está pesado, temos que admitir e correr o mais rápido que pudermos para junto dele, para seus braços. As reservas que estamos acostumados a ter com as pessoas, não precisamos ter com Cristo. Ele não nos decepciona, não nos magoa. Não precisamos ter dúvidas sobre suas intenções, sobre seu real interesse por nós.
A maior prova de amor foi demonstrada de forma incompreensível para nós, tanto que não pensamos nela todos os dias. Não a vivemos, ela não faz parte de nós, dos nossos dias, da nossa rotina. Se fizesse, se pensássemos nela, perdoaríamos com mais facilidade e a viveríamos com entusiasmo, com convicção de que este é o caminho. Com a certeza de que estamos carregando as nossas cruzes que são infinitamente mais leves e mais fáceis de carregar. Quando cairmos na graça de Cristo e nos entregarmos a ele de corpo e alma, ele será tudo o que teremos e tudo de que realmente necessitaremos. Jesus nos espera e seu sacrifício não foi apenas para que fossemos poupados do inferno, mas para que pudéssemos tê-lo em nossas vidas. Para que desfrutássemos da sua presença enquanto estivermos presos a este mundo a esta realidade temporal, na qual nos apegamos. Ele deve ser tão real em nossas vidas que deveríamos ouvi-lo sussurrar aos nossos ouvidos. Devíamos senti-lo quando acordássemos e encarar o dia sabendo que não importa o que aconteça ele estará guardando-nos e consolando-nos quando chorarmos. Abençoando cada minuto de vida que temos, intercedendo ao Pai em cada dificuldade que passarmos.

Ele não está preso ao passado, ao que fizemos ou quem fomos. Mas nos vê como estamos em sua presença em cada momento como sendo único e que não deve ser desperdiçado. Jesus é a maior expressão de amor que vamos conhecer, não pode ser comparado com pessoas, não está limitado às nossas expectativas. Ele é Santo, mas não intocável. É perfeito, mas não distante ou indiferente. É excelente e supremo. Sabe tudo sobre nós, mesmo que não nos consideremos interessante o suficiente. Se importa ao extremo, mesmo estando cercado de glória e esplendor, mesmo assim nos ama muito. 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Fruto do Espírito

“Mas o fruto do Espírito é: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” Gálatas 05:22.

Jesus nos conta a parábola de uma figueira plantada em uma vinha. E esta figueira não gerava fruto há pelo menos três anos. O senhor da vinha decidido a arrancá-la, delegou esta tarefa ao vinhateiro, que se compadecendo da figueira lhe disse: “Senhor, deixa-a este ano, até que eu a escave e a esterque. E se der fruto, ficará, e, se não, depois a mandarás cortar” Lucas 13:8b-9. Através desta parábola, Jesus nos ensina que todo aquele que não gerar fruto é cortado e desligado do reino de Deus.
Assim como os reinos desta terra tem leis que os regem, o reino de Deus também tem. Imagine se cada pessoa utilizar um princípio diferente com base em seus próprios valores. Imagine que em cada situação as pessoas apliquem suas próprias regras. Assim como as leis ajudam a coibir atos que ferem direta ou indiretamente a sociedade, elas também são necessárias nas questões espirituais. A lei que declara crime qualquer ato de violência contra os animais tem o objetivo de coibir tais atitudes e mesmo que alguém não tenha amor pelos animais e não tenha interesse em protegê-los, se sentirá compelido a respeitar esta determinação para que não seja penalizado. As leis que regem o reino de Deus são fundamentais para que, como cidadãos do céu, possamos entender o que se pode ou não fazer. Mas muito mais que isso, elas nos ajudam a enxergar as características de um servo do Senhor.
As leis de Deus não se baseiam em qualificar crimes ou criar penas para eles. Vão além de julgar gestos e atitudes e vão além daquilo que é aceitável aos olhos humanos. Elas são usadas para avaliar-nos como um todo, corpo, alma e espírito. Gestos, sentimentos, pensamentos. Quando Jesus disse que a árvore que não dá frutos é cortada e lançada fora, esta é uma determinação, ou seja, uma lei que precisa ser observada. Não gerar frutos é sinônimo de morte espiritual e consequentemente de ser arrancado e lançado fora. E não se trata de frutos visíveis aos olhos humanos, mas frutos espirituais visíveis no reino espiritual. Ser um membro atuante na igreja local, entregar o dízimo, ajudar o próximo, não nos torna automaticamente frutíferos se não estivermos ligados em Cristo. Se fizermos todas estas coisas para nos adequar ao ambiente, ou com qualquer outro propósito mundano, não conseguiremos gerar frutos.
Podemos parecer trigo, estar plantado junto ao trigo, mas o que nos diferencia do joio são os frutos visíveis aos olhos de Deus. Qual fruto temos apresentado ao Senhor em nossas casas, na escola, no trabalho? Qual fruto temos apresentado nos nossos pensamentos, nos sentimentos e em lugares onde apenas o Espírito Santo pode contemplar? Quando nos preocupamos se realmente somos produtivos no reino de Deus? Quantas vezes nos angustiamos diante de tal verdade e nos sentimos insignificantes no reino quando olhamos para nós mesmos e não vemos esses frutos. Não vemos aquilo que existe apenas no reino espiritual, não vemos porque nesta vida nunca conseguiremos vislumbrar com olhos carnais as coisas de Deus.
Se oramos por nossas famílias, se nos arrependermos diante de Deus ao cometer um erro, se buscarmos a transformação das nossas mentes para não nos conformar com este mundo, estamos gerando frutos espirituais invisíveis aos olhos humanos, mas vistos por Deus. Assim como vidas resgatadas do reino das trevas, auxílio financeiro em favor dos necessitados, dentre outras coisas que também geram frutos. Mas quando estamos ligados a Cristo não nos delimitamos a determinados gestos. Estendemos que tudo o que diz respeito às nossas vidas pode ou não gerar tais frutos. Quando Deus olha para nós, nos vê por completo, como um ser totalmente pertencente a ele e que pode gerar frutos de diversas maneiras. É isto o que ele espera de nós, que sejamos verdadeiramente frutíferos, e em todo o tempo.
Precisamos entender as coisas do alto, precisamos pensar como um cidadão do céu, que tem as suas vestes lavadas pelo sangue do Cordeiro. Precisamos entender o quanto Deus nos ama e o que ele tem feito para que isto se torne uma realidade em nossas vidas. Assim como o vinhateiro da parábola pediu ao dono que lhe desse mais um ano para cuidar da figueira, Jesus intercede por nós e trabalha em nosso favor, preparando-nos e fortalecendo-nos a fim de que venhamos a gerar frutos dignos de arrependimento, para glória de Deus.     

        

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Porque nem sempre Deus atende nossas orações?

“Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” Mateus 18:19 e 20.

            Mediante a afirmativa que encontramos na Palavra de Deus nos versículos citados acima, podemos concluir que se pedirmos algo a Deus ele nos concede? Se isto é uma verdade, porque pedimos tantas coisas que não acontecem e não vemos nossos pedidos atendidos como desejamos?
            Quando lemos todo o capítulo 18 do livro de Mateus, entendemos que Jesus falava que se algum irmão pecar contra outro deve ser repreendido em segredo. No entanto se ele não se arrepender, o irmão ofendido pode chamar mais um ou dois, e em caso dele permanecer resistente seria preciso apresentar o fato à igreja. Mesmo assim, caso ele não aceite a repreensão da igreja, pode ser considerado um pecador. Em seguida Jesus fala que o que dois ou três pedirem a Deus em concordância seria concedido. Vemos claramente neste texto que Cristo se referia a uma situação específica em que alguém é afastado da congregação por ter se corrompido e consequentemente o mesmo mostra-se resistente à correção. O afastamento de um membro é feito por concordância de toda a igreja, assim como a ordenação de um líder ou a agregação de novos membros. Esses dois versículos que lemos em Mateus, não podem ser usados para afirmar que qualquer coisa que pedirmos a Deus em concordância com os irmãos, será feito. O sentido dos mesmos quando observados diante do contexto apresentado pelo próprio texto, nos mostra que não se trata de qualquer oração, mas de uma oração confirmando diante de Deus que determinada pessoa não faz mais parte da congregação de membros da igreja local.
            Quando estudamos os evangelhos nos deparamos com textos e relatos que diferem muito do que temos encontrado nas pregações que têm sido feitas em vários púlpitos espalhados pelo país atualmente. Jesus Cristo nos apresentou um evangelho de entrega e não de recebimento. Ele nos ensina a entregar nossas vidas a Deus e amar o próximo como um estilo de vida em que nossas necessidades básicas tornam-se preocupações secundárias. Em Mateus 6:19: “Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam” podemos observar que as riquezas não são vistas por Jesus como algo importante, devendo cada cristão desapegar-se delas. E no versículo 25: “Portanto eu lhes digo: não se preocupem com suas próprias vidas, quanto ao que comer ou beber; nem com seus próprios corpos, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante do que a comida, e o corpo mais importante do que a roupa?” Vemos que mesmo questões ligadas à nossa própria sobrevivência devem ser de interesse secundário.
            Isso quer dizer que não podemos levar nossos pedidos a Deus em oração? Sim podemos. Mas primeiramente é preciso analisar como está nosso coração. Se ele estiver totalmente voltado para as coisas deste mundo, nossas orações refletirão esses anseios meramente mundanos e carnais. Se ele estiver comprometido verdadeiramente com o reino de Deus, em nossas orações podemos apresentar algumas preocupações do dia a dia, mas vamos priorizar tudo aquilo que é do alto, ou seja, questões realmente importantes para o reino de Deus.  
             Não vemos nossas orações respondidas quando elas são contrárias à vontade de Deus. Existem situações que nem sempre estamos dispostos a enfrentar e recorremos ao Senhor para solicitar que nos livre delas, assim como o próprio Cristo orou: “...Meu pai, se é possível, passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres” Mateus 26:39b. Sentir-se só e infeliz com a realidade ao nosso redor é algo que pode acontecer com qualquer servo do Senhor, no entanto, não podemos permanecer assim, porque tudo o que tivermos que passar tem um propósito. Todas as situações desagradáveis que tivermos que enfrentar virão com uma finalidade para o reino de Deus, mesmo que não entendamos qual seja.
            Precisamos estar em paz com o Senhor sabendo que ele tem o controle das nossas vidas e ouve nossas orações, por isso faz-se necessário avaliar tudo o que levamos a Deus em oração para não continuarmos insistentemente com pedidos egoístas ou que tenham aspirações fora do contexto que o Pai escolheu para as nossas vidas. Apliquemos as palavras de Jesus em nossas vidas: “Vendam o que têm e dêem esmolas. Façam para vocês bolsas que não se gastem com o tempo, um tesouro nos céus que não se acabe, onde ladrão algum chega perto e nenhuma traça destrói” Lucas 12:33.

            Que Deus nos capacite para entender sua vontade e nos dê humildade para cumpri-la, sabendo que nossa recompensa não está neste mundo e nem nas coisas que pertencem a ele. Glória a Deus!