quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Pr. Antonio Cirilo - Não Há nada Maior (+playlist)

O que dizer quando tudo já foi dito?

“Cantem a Deus, louvem o seu nome, exaltem aquele que cavalga sobre as nuvens; seu nome é Senhor! Exultem diante dele!” Salmos 68:04.


            Uma coisa é certa, já nascemos com o desejo de adorar e adoramos a Deus desde que nascemos. A palavra de Deus nos diz que da boca das crianças e dos que mamam Ele suscita o perfeito louvor. O cristão que não sente o desejo de adorar e prostrar-se na presença Daquele que é digno de receber honra, não nasceu de novo ou esqueceu-se completamente do primeiro amor. Render-se aos pés de Jesus é a melhor sensação, esse é o melhor momento de nossas vidas, quando podemos nos afastar de tudo e de todos para estar a sós com Jesus. Só então nos sentimos completos, realizados, plenos. A satisfação de fazer parte do reino de Deus e ter comunhão com o próprio Rei é única, exclusiva.
            Quando estamos apaixonados costumamos suspirar e pensar na pessoa amada em todo o tempo. Contamos os minutos, os segundos para vê-la, com aquele frio na barriga devido à ansiedade. Gastamos tempo nos arrumando, pensamos nas palavras que diremos para tocar o coração de quem amamos. Quando juntos, aproveitamos cada momento e sempre nos despedimos com o coração partido. Os momentos agradáveis que desfrutamos com essa pessoa são lembrados e passam em nossas mentes como flashbacks. Procuramos oferecer à pessoa amada o que temos de melhor do nosso tempo, dos nossos recursos com presentes, e dizemos palavras de amor para expressar o que ela realmente significa para nós.
            O amor que sentimos por Deus, deve nos fazer suspirar, sonhar, ansiar por aquele momento único em que sentimos sua presença e dizemos palavras de amor como se sussurrássemos ao seu ouvido para ninguém mais ouvir. Em outros momentos queremos gritar aos quatro cantos do mundo para que todos ouçam e saibam quem Ele é e o quanto o amamos. Quando estamos apaixonados por Ele os cultos não são enfadonhos e não vamos à igreja para bater o ponto ou para que ninguém faça comentários negativos a nosso respeito. Empolgamo-nos em cada reunião e em cada momento de comunhão, nos alegramos por poder nos reunir na casa de Deus para adorá-lo. Também aproveitamos os momentos em que ninguém está em casa ou quando todos estão dormindo e o silêncio impera, para falar com Ele e ouvir sua voz. Gostamos de sentir um arrepio leve que começa na espinha, e gostamos de sentir o fogo ardendo levando-nos a pular e adorar de forma extravagante.
            Mas em algum momento de nossas vidas os momentos de comunhão nos parecem iguais aos outros que já existiram e as palavras não fluem da mesma forma como antes. Nos sentimos repetitivos e dizendo sempre as mesmas palavras, não encontramos nada novo, questionamos a autenticidade da nossa adoração e tememos não ser ouvidos como já fomos um dia. O que dizer quando parece que todas as palavras já foram ditas? As declarações de amor acabam sendo repetidas, as demonstrações de admiração não são inusitadas, não há nada novo ou surpreendente. Sabemos que Deus ouve, sabemos que ele conhece os nossos corações, mas não queremos nos acostumar a dizer sempre as mesmas coisas e fazer tudo como sempre fizemos, queremos que aja algo novo acontecendo e queremos ter experiências novas. Queremos que Deus receba uma adoração genuína que brote no fundo do coração, não algo ensaiado e repetitivo.
            Então nos deparamos com uma realidade que não muda e com algo que será sempre igual, o fato de que Deus continua sendo Santo, sua grandeza não muda, seu poder permanece o mesmo e nós é que estamos em constante transformação e crescimento, por isso buscamos novas emoções. Olhamos e vemos quão grande e poderoso Ele é, e tudo o que temos para dizer é: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus todo poderoso. E repetimos isso até não conseguirmos mais pronunciar palavra alguma, e o silêncio aparece de mansinho mostrando-nos que está tudo como sempre esteve, a presença de Deus, o aconchego Dele nos envolvendo.
            Nada mudou, o coração de quem ama a Deus permanece o mesmo diante de um Deus que continua conosco sem que aja marasmo, monotonia. O prazer de desfrutar da presença de Deus não é enfadonho. Se tivermos que dizer o que já foi dito, diremos e nos deleitaremos a cada palavra, a cada sílaba pronunciada. Comtemplar a majestade do Altíssimo nos faz ter um novo ângulo de visão e uma nova satisfação em cada momento de comunhão. As palavras que já foram ditas e repetidas várias vezes, voltam e expressam os mesmos sentimos e outros novos que surgem a cada dia nos fazendo suspirar como se o fizéssemos pela primeira vez. Acordar e estar com Jesus, voltar nossos pensamentos para Ele enquanto olhamos os raios de sol que iluminam o início de uma nova manhã, não pode ser feito da mesma forma todos os dias, por isso fazemos como se fosse a primeira vez. Olhar o entardecer e o anoitecer e cantar canções de amor todos os dias, não pode ser um gesto pobre em sua simplicidade, mas grande e feito como se fosse feito pela primeira vez.

            Tudo se torna novo e tudo o que é novo remete ao que já foi feito ou se assemelha ao que já passou. As palavras que outrora regavam os momentos sublimes são ditas novamente tornando os momentos de agora tão sublimes como antes. A majestade, o poder e a grandeza de Jesus são suficientes para nos surpreender e nos fazer enxergar que palavras são apenas palavras e podem ser repetidas quantas vezes houver a necessidade de dizer à Ele o quanto o amamos e o quanto desejamos estar em sua presença. 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

O irmão do filho pródigo

Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?
Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?
Romanos 8:31-32

Certa vez ao ler a parábola do filho pródigo que se encontra em Lucas 15:11-32, algo me chamou a atenção.  Cada vez que lemos a Bíblia, Deus nos fala de forma diferente.  A leitura da Palavra nos possibilita ouvir a Deus. Pois desta forma Paulo ensinou: “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus.” Ele quis mostrar que a fé é por ouvir, mas não ouvir a Palavra, e sim ouvir a Deus através da Palavra. Quando estava lendo a parábola do filho pródigo percebi que Jesus não se preocupou apenas em falar sobre o filho que depois de ter errado se arrepende e volta, ou apenas do pai que prontamente o recebe, acolhe e honra.
A parábola do filho pródigo tem também a intenção de relatar a reação de um terceiro personagem pouco enfatizado quando nos lembramos da estória. Ela fala de um irmão que não se alegra ao ver o caçula retornar, pois o mesmo  gastou parte da herança e mesmo tendo feito isso é acolhido recebendo roupas novas; perdoado, pois  recebe calçados e só os escravos andavam descalços e honrado quando ganha um anel. Ao ouvimos a crítica dele entendemos que é natural que tenha sentido ciúmes. Se trouxermos isso para nossa realidade veremos que o irmão mais velho possuía reais razões para se chatear. O que seu irmão havia feito não foi um ato de irresponsabilidade que tenha trazido danos apenas para si. Ele teve a infelicidade de gastar parte do patrimônio da família prostituindo-se. Como mostra o versículo 30: “Mas quando volta para casa esse teu filho, que esbanjou os teus bens com as prostitutas, matas o novilho gordo para ele.”
Se ouvirmos algo semelhante nos dias de hoje sentiremos um pouco de revolta ao pensar na inconsequente atitude de um filho que aja de forma tão egoísta e irresponsável. No entanto, por trás de uma reinvindicação ‘justa’ há a manifestação de um sentimento mesquinho. Sua única preocupação é com o que seu irmão recebeu de seu pai e ele não. O que move seu coração é algo tangível, palpável. O dinheiro é mais importante que seu irmão, ao ponto dele não se importar com o estado em que seu irmão voltou para casa, se bem ou não e sim com quanto ele conseguiu desperdiçar. O amor inalterável do pai incomoda-o, pois ele quer justiça, ele espera ser recompensado enquanto que seu irmão precisa ser castigado. Tem algo que salta através de suas palavras e de sua atitude que mostra uma característica sua: a ausência da graça.
Diante de um ato de graça demonstrado pelo pai por um filho que arrependido volta para casa, Jesus quis mostrar também a atitude mesquinha, porém com justificativas ‘aceitáveis’, do filho que age de forma correta, mas o pai não o recompensa. Humanamente falando ele estava exigindo o que era seu por direito, ou seja, ter reconhecimento por tudo o que era e o que havia feito. E quantas vezes achamos que temos que ser reconhecidos? Demonstramos ciúmes quando vemos outra pessoa sendo honrada. Nossas justificativas muitas vezes são plausíveis e achamos que se pra nós conquistarmos algo o caminho é difícil, não aceitamos que pra outras pessoas não seja. Isso nos incomoda, não conseguimos nos alegrar com os que se alegram. Somos medíocres demais pra isso. Certa vez ouvi alguém dizer que não acredita que um criminoso é perdoado se ele se arrepender minutos antes de morrer. Minha condição humana tem dificuldades para entender que parâmetro Deus utiliza para estabelecer quem recebe o perdão, mas o ladrão da cruz me faz ver que o único requisito é um arrependimento real e não o tempo que temos de caminhada com o Senhor.
O perdão é imediato, não é gradativo. Se nos arrependemos automaticamente somos perdoados por Deus, isso é bem difícil de compreendermos, pois nossa natureza pecaminosa não consegue entender o grande amor de Deus. As consequências dos nossos pecados virão, quem praticou algum crime deve pagar diante da justiça, e quem cometeu erros menos graves também há de arcar com as consequências de seus atos. Mas a parábola nos impacta com a incrível capacidade que o Pai tem de não demonstrar nenhuma objeção em receber seu filho, e de tentar convencer o filho mais velho a entrar e participar da festa como nos mostra o versículo 28: “O filho mais velho encheu-se de ira. Então seu pai saiu e insistiu com ele.” O pai não demonstra preferência por nenhum dos filhos, mas demonstra maior graça para o que mais precisava, o filho rebelde. Como vemos em Romanos 5:20 “... Mas onde aumentou o pecado, transbordou a graça.”
Nós temos muito do que nos arrepender e nos humilhar na presença de Deus, mas o fazemos com restrições, afinal ‘não somos tão pecadores assim’. E é isso que nos impede de sermos cheios da graça de Deus, nos achamos bons demais para ela. E quanto aos viciados, aos marginalizados, às prostitutas? Quando alguém assim se arrepende não consegue usar a mascara que usamos, pois eles sabem quem realmente são e se rendem muito mais aos pés de Jesus pois está explícita a necessidade de perdão em suas vidas. É por isso que muitas vezes Deus nos abate, nos faz passar por situações em que somos humilhados ou ficamos enfermos, só assim percebemos que não somos nada.
As igrejas têm pecado brutalmente na forma como recebem os ‘desgraçados’, ou seja, os sedentos pela graça de Deus. Se uma mulher entrar na igreja com roupas decotadas e batom vermelho é olhada de cima a baixo e ninguém a cumprimenta porque ela é suja demais e as pessoas não querem se misturar com esse tipo de gente. Muitos visitantes se sentem julgados pelos olhares maldosos de pessoas ‘puras demais’. Enquanto tantas igrejas se julgam acolhedoras, no entanto, não recebem a todos com amor, principalmente os que são muito pobres, marginalizados e os que visivelmente se encontrar à margem da sociedade. A igreja não sabe amar e não demonstra a graça que de Deus tem recebido.
Enquanto aquele que jamais pecou comia com publicanos e pecadores, demonstrava amor por prostitutas, nós, pecadores somos santos demais para fazer isso. Quantas vezes percebemos a ausência da graça entre nós mesmos quando alguns e outros irmãos não se falam, não se suportam e até competem dentro da igreja. Por outro lado somos congregacionais demais e priorizamos o acúmulo de cargos de liderança, as festas e comemorações vãs que tão pouco contribuem para ganhar almas e prepara-las para a vida eterna. Esquecemos que estamos aqui de passagem e temos que nos preparar para o céu onde não haverá falsidade, orgulho e seremos todos iguais diante do pai.
Diante de tudo que tenho visto entre os cristãos uma pergunta que não consigo responder é: Será que somos capazes de dar aos outros um pouquinho do que temos recebido do Pai? Misericórdia, amor e graça que temos recebido, será que conseguimos demonstrar pelos outros? Diante do que temos visto a resposta é não. Mas é possível darmos um pouco do que recebemos? Não só podemos fazê-lo, como devemos. Aquilo que o homem recebe de Deus e retém é o suficiente para si e pode ficar satisfeito. Mas quando recebe e compartilha com os que também precisam, multiplica-se cada vez mais. É algo sobrenatural, inexplicável. Se você não tem sentido a unção de Deus sobre a sua vida, precisa se derramar mais e não ter mais reservas diante do Pai, para que ele possa transbordar a graça, o amor e a unção Dele em sua vida. Por isso cultive o amor pelas almas perdidas. Deixe o Espírito Santo te fazer sentir o que Jesus sentiu quando aquela mulher adúltera estava prestes a ser apedrejada. A capacidade de Deus de amar incondicionalmente e perdoar é inigualável.