terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Receber ou acolher?


“Disse-lhe pois a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? (porque os judeus não se comunicam com os samaritanos).” João 4:9

            A diversidade de opiniões, de estilo de vida, de escolha sexual, de comportamento, tem se tornado cada vez mais extensa, nesses dias. Isso faz com que o mundo pareça ainda mais diferente da igreja do que nunca. Mas a questão que não podemos deixar de analisar é, se a igreja está preparada para receber dentro de suas quatro paredes, pessoas tão diferentes de nós. Será que elas se sentem acolhidas, bem-vindas e até mesmo amadas quando decidem fazer uma visita e conhecer alguma igreja?
            Já ouvi relatos de pessoas que dizem ter se sentido julgadas ao visitarem uma igreja. Se pensarmos bem, não é preciso olhar de forma estranha para uma pessoa que tenha tatuagens, ou peircing, ou use roupas decotadas. Basta não olhar para ela, ou falar apenas por educação enquanto todos estiverem se cumprimentando e sendo gentis uns com os outros. E falando a verdade, qualquer pessoa se sente assim em um ambiente em que todos estão entrosados e ela é apenas um estranho no ninho. Saber acolher não é não julgar ou não expor as pessoas a constrangimento. Saber acolher é abraçar e demonstrar interesse pelo outro. É fazer mais que um contato amigável, é demonstrar que existe um espaço para ela naquele lugar e deixa-la à vontade para que volte quando desejar.
            Saber acolher não tem a ver com o que não fazemos, mas com o que deixamos de fazer. Não adianta não olhar para que a pessoa não se sinta observada, se trata de olhar nos olhos. Não se trata apenas de ser gentil e cumprimentar, dizendo algumas palavras saudosas, mas de falar a verdade sobre ela ser realmente importante naquele lugar. A verdade é que podemos até não fazer por mal, mas fazemos. Muitas vezes vamos à igreja por hábito, estamos acostumados a frequentar. Observamos se o louvor está bom, se a palavra foi legal, quais os irmãos que faltaram. Mas deixamos de perceber aquelas pessoas que colocaram suas expectativas ao procurar uma igreja. Não observamos aqueles que chegaram, com muita dificuldade, até aquele lugar em busca de uma resposta. Diante de um mundo tão caótico, muitos procuram numa simples visita, algo que possa preencher um vazio em suas vidas. Mas se deparam com uma barreira social que diz que elas não são santas o suficiente para estarem ali, mesmo que essa barreira exista apenas em suas mentes.
            Por isso o Senhor nos chamou quando nos incumbiu da missão de pregar o evangelho, para quebrarmos paradigmas. O mundo acha que nós crentes, somos arrogantes e nos consideramos superiores aos outros. Precisamos mostrar o que sentimos e quanto estamos dispostos a olhar para os outros com amor. Precisamos estar prontos para ouvir os pedidos mudos de socorro daqueles que se sentem constrangidos para externá-los. Precisamos parar de ver a igreja como nossa segunda casa onde vamos para nos sentir bem ou para rever os amigos. Quando adentrarmos as portas da casa do Senhor, nos lembremos daqueles que a procuram como um refúgio de suas próprias dores. Estejamos prontos para ajudar, sempre atentos aos que chegam, depois de lutar contra seus próprios medos e receios de serem confrontados por seus próprios pecados.

            Esse foi um dos textos mais difíceis que escrevi. Mais complicado no processo de tentar expressar todos os sentimentos e transformá-los em palavras. Sinto pesar e tristeza por todas as pessoas que frustradas não retornam para o meio cristão por acreditarem que não são aceitas. Cada vez que um pecador se dirige à igreja, ele travou uma batalha contra sua própria carne, contra demônios, contra as palavras de familiares e amigos e contra seus próprios medos. Talvez esta seja uma oportunidade única para o resgate de uma alma. E quanto vale uma alma para você?  

sábado, 6 de janeiro de 2018

Almas, almas, almas!

"Produzi pois frutos dignos de arrependimento"
Mateus 3:8


Quando pensamos sobre as nossas obras e o que temos feito no reino de Deus, ou o que temos produzido de bom... Sempre associamos esta ideia a ganhar almas. E isso pode se tornar frustrante para nós porque imaginamos que gerar boas obras, trata-se de um quantitativo de vidas alcançadas. Como se a vida cristã se resumisse a isso. 

Sabendo que esta é uma parte fundamental de sermos cristãos, não podemos limitar nossas vidas a resultados numéricos de pessoas que levamos até Cristo como sendo prova de santidade genuína ou qualquer coisa do tipo. Não somos parte de uma corporação que prioriza resultados e metas em número de pessoas convencidas. As obras de que a Bíblia fala que temos que produzir vão muito além de uma equação salvos versos perdidos. 
O que fazemos e quem somos refletem consequentemente na vida das pessoas ao nosso redor. Muitas vezes, dar um bom exemplo de honestidade quando todos ao nosso redor escolhem ser desonestos, passa uma informação importantíssima: a de que mesmo que saiamos no prejuízo, é mais importante fazer a vontade de Deus. A parte mais difícil disso é que ninguém vai nos elogiar ou nos apoiar por atitudes assim, pelo contrário, os olhares acusadores nos farão duvidar da genuinidade das nossas ações. Mas em algum coração a mensagem da cruz de Cristo será implantada, e de forma efetiva, independente de palavras.
Temos dificuldades de imaginar o impacto que uma simples palavra, ou que um gesto tem no reino espiritual, e como o Espírito Santo atua através destas pequenas atitudes. Mas se dá porque nossa fé é pequena e preferimos ver resultados numéricos de vidas. Nos esquecemos que nem todos são chamados para evangelistas, ou seja, nem todos conseguirão mover multidões. Claro que se não temos coragem de falar de Cristo, é algo que temos que trabalhar. Mas não podemos desviar o foco do que realmente é produzir boas obras no reino de Deus. Nos orgulhamos muito mais de dizer um quantitativo anual, do que de avaliarmos internamente o que precisamos mudar em nós para que sejamos verdadeiros embaixadores aqui na terra. 
Ganhar vidas não é um comércio, é uma missão. Levar a palavra de Deus é algo importantíssimo, que deve ser feito com muito amor e não por um orgulho tolo. Podemos desfazer as obras do diabo, estabelecer o reino de Deus onde estivermos e produzir obras reais que nada tem a ver com os nossos sentimentos vazios. A palavra de Deus nos orienta a respeito do fruto do Espírito em Gálatas 5:22. Observe que não se trata de uma meta que deva ser revertida em número de almas, pois é, gerar frutos espirituais vai além do que podemos mostrar para as pessoas ou provar pra elas. E quanto à incrível missão de pregar o evangelho? Isso fazemos de forma tão natural quando geramos frutos, que não precisa ser motivo de ansiedade, ou até motivo de frustração por não vermos resultados incríveis, pois se a semente foi lançada verdadeiramente, dará o fruto no tempo certo.
Em Isaías 55:11 Deus nos mostra que sua palavra não volta vazia, antes ela fará o que Deus quer que ela faça e prosperará. Quando levamos esta palavra, fazemos uma pequena parte, porque a obra maior é Cristo quem faz. É o Espírito Santo quem convence do pecado, do juízo e da justiça como vemos no evangelho de João 16:8. E o que fazemos? Obedecemos! Tanto em levar a palavra, quanto em vivê-la e cumpri-la. Que esta reflexão nos ajude a entender a incrível missão de ganhar almas, sendo luz em meio às trevas, para que Cristo reine na vida das pessoas da mesma forma que lutamos para que ele reine em nós, para glória do seu nome.