quinta-feira, 28 de agosto de 2014



Amemo-nos uns aos outros.


“Ora, antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim... Ora se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis lavar os pés uns aos outros.”
(João 13:1 e 14)


Temos o hábito de ler a Bíblia e meditar nos ensinamentos de Jesus separadamente. Cada ensinamento tem uma correlação e não se pode aprender e praticar uns e não outros. Se estamos em Cristo precisamos viver o seu evangelho na íntegra, não conseguiremos ser exatamente iguais a ele, mas imitar seus passos e tê-lo como referencial constante em nossas vidas, demonstra a importância que ele tem para nós.
            Jesus disse que quando alguém nos ferir na face, devemos dar a outra. Esse gesto é nobre e demonstra que realmente fomos transformados pelo Senhor. Dar a outra face requer maturidade porque não se trata de perdoar e dar as costas para a pessoa que nos feriu, e sim permanecer frente a frente com ela, correndo o risco de ter a outra face esbofeteada da mesma forma. Liberar perdão e abençoar a vida de pessoas que nos humilharam e ofenderam é bastante fácil, no entanto, demonstrar perdão ao ponto de poder sofrer a mesma afronta, demonstra amor genuíno. E se não amarmos nossos irmãos que vemos, como amaremos a Deus que não vemos? Amar não é escolher como tratar as pessoas e como nos relacionarmos com elas minimizando ao máximo as possibilidades de nos decepcionarmos com elas novamente, amar é estar perto o suficiente para sofrermos o dano de ter a face marcada e mesmo assim mostrar que a outra ainda está ilesa e estamos dispostos a correr este risco mais uma vez.
            Obedecer aos mandamentos de Jesus não é fácil, principalmente quando temos que nos aniquilar e colocar nossas vontades de lado, abrir mão de fazer nossas próprias escolhas para decidir por fazer o que não queremos. Dar a outra face é um gesto que nos mostra que não somos capazes de amar, pois sozinhos não faríamos esta escolha. Quando decidimos agir assim percebemos que não somos bons o suficiente para fazer isso, mas Cristo que é soberanamente bom para nos exortar a tomarmos esta decisão e o fazemos apenas por obediência, pois nossa vontade é dar o troco e desejar que a outra pessoa sofra o dano que sofremos.
            O que diremos do gesto de Jesus quando lavou os pés dos seus discípulos? Mesmo sendo mestre e Senhor se humilhou e nos ensinou que aquele que está em posição superior não se exalte, antes tenha os outros com estima o suficiente para honrá-los desta forma. Há pessoas que ultrapassam nossa cota de paciência e exigem de nós um grande esforço para liberar perdão, quando erram diversas vezes e não entendem que o princípio de dar a outra face está sendo praticado por nós mas não está sendo respeitado por elas. Mas quando lavamos os pés do nosso próximo, dizemos para ele que esta relação ultrapassa a simples liberação de perdão e que não apenas daremos a outra face, mas o honramos reconhecendo que existe uma aliança inquebrável entre nós.

            A igreja de Cristo está doente porque prega o perdão, mas não o vive, não dá a outra face e uns não lavam os pés dos outros, antes cada um quer honra para si e não considera os outros superiores. Se entendermos este princípio de dar a outra face e sua ligação com o de lavar os pés acabando com as acusações do diabo e enfraquecendo seu campo de ação, poderíamos declarar com mais precisão que somos verdadeiramente um corpo unido. Esqueçamos as desculpas e as razões que temos para nos manter irados. Deixemos de lado todo orgulho e soberba para que não nos afastem do nosso galardão. Amemos a todos com sinceridade e pureza de coração. Se amarmos uns aos outros estaremos amando a Jesus, autor e consumador da nossa fé.