quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Fome da palavra.

“Eis que vêm dias, diz o Senhor JEOVÁ, em que enviarei fome sobre a terra, não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor.” Amós 8:11

                Muitas vezes nos perguntamos em qual época, em qual período esta profecia vai se cumprir. Será que estamos vivendo neste tempo ou talvez os nossos filhos vivam. Fome e sede pela palavra do Senhor não se caracteriza aumento de igrejas, denominações. Esta fome não deve ser confundida com a quantidade de ministérios que surgem e se multiplicam. Trata-se de algo que nos aproxima verdadeiramente de Deus.
                A fome de pão que o profeta falou, não pode ser confundida com a fome que sentimos antes do almoço, ou depois de uma caminhada. Esta fome não faz referência ao simples desejo de degustar uma comida saborosa. Fome é algo que pode ser comparado a uma doença, 805 milhões de pessoas no mundo sofrem de fome crônica, de acordo com um relatório divulgado pela ONU. A fome crônica, ou fome aguda, é a carência de alimentos necessários à manutenção do organismo. Crônico é algo que persiste por muito tempo, e agudo é algo excessivo. E quando o Senhor enviar fome sobre a terra, não serão comtempladas apenas algumas pessoas, pois o versículo deixa claro que é sobre a terra, sobre toda a terra. Uma fome tal que só poderá ser saciada pela palavra do Senhor.
                Quando a fome atingir a população do mundo inteiro, estaremos sedentos para ouvir aquilo de que necessitamos, não apenas o que queremos. Nosso ser necessitará de alimento para manutenção adequada, com os nutrientes de que necessitamos. As palavras que trazem gozo e alegria são serão suficientes. As pregações que só prometem vitória e prosperidade não mais satisfarão. Tudo o que precisaremos ouvir e que ofereça os nutrientes necessários para o nosso espírito, é isso que buscaremos. A exortação, a correção, serão buscadas como água no deserto. No dia em que estivermos gemendo, clamando como moribundos espirituais desejaremos esta palavra na íntegra.
                A resposta que não será respondida facilmente é: O que acontecerá para que todo o mundo sinta esta fome? Enquanto estamos confortáveis nas nossas casas, dispondo de tudo o que necessitamos e muito mais para nossa sobrevivência, não percebemos a falta que a palavra do Senhor nos faz. Se não tivermos que enfrentar problemas, dificuldades, enfermidades não sentiremos falta de Deus nas nossas vidas. E quais as guerras que serão necessárias para que o mundo volte seus olhos e ouvidos para Deus? Dias difíceis estão por vir, mas enquanto eles não chegam devemos meditar nesta palavra e pedir que o Senhor aumente nossa fome e sede por ela.
                E quanto aos famintos espalhados pelo mundo, os famintos de pão e sedentos de água, muitos estão na chamada janela 10/40. A janela 10/40 é uma extensão de terra localizada acima da linha do equador que vai do Oeste da África até a Ásia e compreende 52 países. Aqueles povos sofridos e aprisionados pela idolatria, está faminto tanto de alimento físico quanto espiritual. São pessoas que morrem sem salvação todos os dias e muitos nunca ouviram a verdade do evangelho de Jesus. Eles nem sabem que Deus existe e que os ama. Se nos frustramos ao tentar levar a palavra para pessoas que esnobam, devemos nos lembrar que existem pessoas que precisam saber e ter pelo menos uma oportunidade de ouvir aquilo é pregado todos os dias nas nossas igrejas confortáveis.

                Precisamos fazer alguma coisa, se não pudermos ir pessoalmente, temos que investir financeiramente e orar pelo trabalho missionário realizado lá. A oração pode abrir portas e tornar possível algum investimento para este propósito. Nós podemos ansiar pela palavra de Deus e podemos buscar o alimento em qualquer momento, mas preocupemo-nos com aqueles que perecem sem esta oportunidade. Cumpramos com nosso papel de igreja, corpo de Cristo, antes que dias de fome assolem toda a terra.   

Ao meu lado - Ministério Vineyard

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

A autoridade de igreja!

E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. Marcos 16:15 e 16.


Quando Jesus cumpriu sua missão aqui na terra como homem, deu orientações aos seus discípulos. E não apenas diretrizes, mas deu-lhes a autoridade que até então, estava apenas sobre ele. Deu-lhes o poder de expulsar demônios, curar enfermos, pegar em serpentes, etc. Parece uma missão muito grande para alguns pescadores. Se tivermos que pensar em alguém que nos represente, examinaremos cuidadosamente as qualificações desta pessoa com critérios bem exigentes.
            Mas ele escolheu pessoas improváveis e sem as características necessárias para tamanha responsabilidade. No capítulo 21 do evangelho de João, Jesus pediu a Pedro que apascentasse as suas ovelhas. Este pedido foi feito ao discípulo que o negou. Qual pastor confiaria suas queridas ovelhas a alguém que tenha feito isto. Nós enviamos homens ao seminário, nos preocupamos com aquilo que é ensinado na escola bíblica aos domingos, primamos pela observância da palavra de Deus e como as atividades são realizadas na igreja. Mas achamos que estamos despreparados para expulsar demônios e temos receio de impor as mãos sobre os enfermos, quando na verdade isto não depende das nossas competências, pois é Deus quem opera através de nós como fez com os discípulos.
            Que evangelho é este que aprende mas não coloca em prática? Onde está a autoridade que nos foi confiada? Será que estamos esperando que as aulas de hermenêutica e exegese salve vidas?  Quando, na verdade, deveríamos pregar o evangelho para que aquele que crer e for batizado seja salvo. Isto têm uma participação expressiva da igreja, pois Jesus nos confiou o ato de pregar e batizar. O batismo não salva, mas o ato do batismo que é realizado pela igreja, fortalece a fé do salvo e o convívio com o corpo de Cristo o mantêm nos caminhos do Senhor e esta é uma participação nossa no processo de salvação. Temos receio de avançar, temos receio de impor as mãos e não ver o milagre acontecer.

            A autoridade que Jesus nos deu dando-nos as chaves do reino dos céus, em Mateus 16:19, não nos dá autonomia para decidir quem é salvo ou não. Mas quando pregamos o evangelho permitimos que o reino de Deus seja apresentado e passe a ser uma opção para aqueles que não o conheciam e não sabiam de sua existência, ou não sabiam como conquista-lo.  Jesus depositou em nós a autoridade que estava sobre ele para pregar, batizar, curar e libertar. Precisamos ousar, pois o nosso adversário é ousado. Temos que sair da defensiva e avançar, saqueando o inferno, desfazendo as obras do diabo. Aquilo que ligarmos na terra, será sido ligado no céu e o que desligarmos na terra, será sido desligado no céu. 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Ídolos gospel

“E lhes darei um mesmo coração e um espírito novo porei dentro deles; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne; Para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e os executem; e eles serão o meu povo, e seu serei o seu Deus.” Ezequiel 11:19.


            Diante de uma geração adúltera e perversa, Deus levanta um profeta para levar a mensagem de arrependimento. Assim foi no tempo de Ezequiel e deste mesmo modo Deus tem falado através de poucos profetas que são usados de fato atualmente. O número de igrejas e denominações está crescendo no Brasil, ser crente é status para algumas pessoas, não se tem mais vergonha do evangelho como se tinha alguns anos atrás. Muitas barreiras foram rompidas, o preconceito tem dado lugar a algo contagiante, uma onda de euforia anima os cultos repletos de músicas de vitória e prosperidade. Em meio a alegria de ver algo novo e extraordinário acontecendo para o povo de Deus, a preocupação com estes novos convertidos surge.
            Abrasados pelo calor deste momento em que a música gospel é tocada nas rádios, cantores evangélicos se apresentam em programas de televisão, um frenesi espantoso não nos permite entender que somos iludidos com as palmas e cegados pelo brilho dos holofotes. Esquecemos que a nostalgia contagiante gospel não salva vidas, somente o poder de Deus pode fazer isso. Ídolos mundanos são substituídos por ‘ídolos evangélicos’, e aquele que deve receber a glória não é exaltado. Nos corrompemos a troco de ouvir palavras mentirosas que nos iludam a crer que a vida é cheia de bênçãos e vitórias e não há mais lutas. Não precisamos lutar, não precisamos nos posicionar no campo de batalha, pois erroneamente acreditamos que somos vencedores sem ter que fazer qualquer esforço para isso.
            Inebriados por falsas promessas deixamos de buscar verdadeiramente a Deus e adotamos ídolos que dizem aquilo que queremos ouvir e não o que precisamos. Estabelecemos lugares de honra em nossos corações a criaturas em lugar do criador. Perdemos a essência do que é ser servo, para achar que estamos em posição de exigir alguma coisa de Deus, não admitindo não sermos abençoados. Esta geração idólatra precisa de alguns ‘Ezequiéis’ que preguem aquilo que Deus quer falar. E quando o Senhor disse ao povo que lhe daria um mesmo coração, ele quis dizer um coração não dividido. Um coração que não pertence a Deus e a Mamon. Quando Deus disse que daria um novo espírito, é porque o espírito que eles possuíam estava sem vida.
            Podemos achar que estamos em Deus, mas isso não quer dizer que Deus está nós. Podemos achar interessante este estilo de vida que aproxima o homem de algo bom, mas isto não é suficiente. Ser crente não pode ser apenas um estilo de vida que busca a satisfação pessoal e conquistas, deve ser o real conhecimento do Filho de Deus. A verdadeira entrega da própria vida para um Deus eterno. É preciso tirar o coração de pedra que é levado por paixões mundanas e receber um coração de carne que bate e pulsa todo o sangue de Jesus que é derramado sobre nós.

            Esta é a mensagem de arrependimento, crer no Filho de Deus e receber dele um novo coração e um novo espírito. Muitos de nós que viemos de uma geração perseguida, nos acomodamos nesta nova geração alienada. Se até os escolhidos serão enganados, precisamos rever em quem temos posto nossa confiança, a quem temos buscado, quem é o nosso Deus. Se o Senhor é nosso Deus, busquemos a sua vontade e somente a Ele demos glória eternamente, amém!  

Juliano Son - A Dor que nos aproxima de Deus

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Há um maior conosco!

“Então o Senhor enviou um anjo que destruiu a todos os varões valentes, e os príncipes, e os chefes no arraial do rei da Síria. E este tornou com vergonha de rosto à sua terra; e, entrando na casa de seu deus, os mesmos que saíram das suas entranhas, o mataram ali à espada.” II Crônicas 32:21


            Estando o rei Ezequias em Jerusalém, Senaqueribe rei da Síria veio contra ele e contra o povo de Deus para tomar as cidades fortes para si. O rosto de Senaqueribe era de guerra e estava determinado a lutar para alcançar seu propósito. Suas armas não eram apenas simples instrumentos de guerra, pois instou com o povo para que não ouvissem Ezequias e citou todos os feitos que havia realizado contra outros povos e as conquistas que havia feito para que desfalecessem diante dele. Também insultou o Deus de Israel e escreveu cartas blasfemando do Senhor e afirmando que ele não livraria o povo de suas mãos.
            Esta afronta que o povo de Deus estava sofrendo não podia ser respondida ou enfrentada de qualquer forma, pois quando alguém se levanta contra o povo de Deus, se levanta contra o próprio Deus, mesmo que não blasfeme como Senaqueribe fez. Israel preparou-se para a batalha e fortificou o muro reparando as partes danificadas, também fez armas e escudos, e quando nos preparamos para batalhar, temos que fechar as brechas e vestir a armadura da qual o apóstolo Paulo fala em Efésios 6, entendendo que trata-se de uma batalha espiritual que requer armas espirituais. O rei Ezequias falou ao coração de todos, pois o Senhor sempre envia uma palavra de ânimo quando estamos diante dos nossos inimigos, para que não desfaleçamos, mas fiquemos firmes diante de qualquer combate.
Este episódio vivido pelo povo de Israel nos ensina que não precisamos responder a qualquer afronta, não podemos lutar com as nossas armas e confiar na força que temos. Cada batalha que enfrentamos deve estar sob o controle do Senhor dos Exércitos e só podemos agir quando ouvirmos a sua orientação. Pode não ter sido fácil para o povo ouvir todas as palavras que Senaqueribe proferiu com o intuito de fazê-los desfalecer de medo diante de um rei que já havia destruído muitos povos. No entanto eles ouviram e não responderam, antes confiaram no Senhor, esperaram nele. Se murmurarmos, ou retribuirmos os insultos e agressões verbais, como o Senhor se levantará ao nosso favor? Se fizermos armas mortais que atinjam nossos inimigos, como o Senhor pelejará por nós? Nossa luta não é contra a carne ou o sangue, e as pessoas que se levantam contra nós são meros fantoches nas mãos do inimigo. Mas se confiamos no Senhor, esperamos nele e entregamos nossas queixas a Deus em oração e ele age como fez quando Ezequias e Isaías clamaram ao céu. Deus ouviu a oração dos seus servos e enviou apenas um anjo para destruir um exército inteiro.
Aleluia! Deus não precisa sair de seu trono para derrotar o exército mais poderoso que afronte o seu povo. É preciso apenas um anjo que o faça, pois a força e o poder para a batalha vem dele. Deus é poderoso e humilha os que se exaltam, abate os soberbos. Senaqueribe foi o único que restou de todos os que estavam em pé diante do povo de Deus e voltou para sua terra para ser morto pelos seus próprios filhos dentro da casa do seu deus. Os seus entes queridos não tiveram compaixão e seu deus não pôde livrá-lo, o lugar onde poderia encontrar refúgio e alento era um lugar de confusão. Somente na presença do Senhor podemos ficar sossegados, apenas no lugar de intimidade com Deus encontramos abrigo seguro.
Quando o Senhor está no controle nada pode nos atingir, nem afronta ou qualquer exército pode nos derrubar, porque maior é o que está conosco como vemos em II Crônicas 32:07. Muito maior e mais poderoso é o Senhor que combate por nós e nos livra das mãos dos nossos inimigos. Louvado seja o Senhor!     

              

sábado, 15 de novembro de 2014

Vineyard Music - Quebrantado

Seu trono não o separou de nós!

“E disse-lhes: Desejei muito comer convosco esta páscoa, antes que padeça.”
Lucas 22:15.


            A comunhão com Deus era vista como o costume de separar um dia da semana para ir à igreja cultuá-lo. Isso era suficiente, se no decorrer da semana tivéssemos o cuidado de guardar o que aprendíamos no domingo e procurássemos praticar e levar aqueles ensinamentos a mudar nosso estilo de vida. Sabíamos que éramos salvos, nos preocupávamos em evangelizar e demonstrar o que Cristo havia feito em nossas vidas.
            Passados alguns anos a igreja percebeu que precisávamos de algo mais. Nossas vidas não podiam se resumir apenas a estes pensamentos e a este modo de viver. Percebemos que faltava alguma coisa para preencher os nossos corações e se começou a falar em ‘Intimidade com Deus’. Esta intimidade era algo novo e a palavra soava estranhamente, mas entendíamos bem o que isso queria dizer e muitos passaram a buscar estar um pouco mais perto de Deus. A comunhão com o Senhor Jesus começou a ser entendida, pregada, falada e vivida. Muitos exageros também surgiram, mas a essência deste entendimento mudou a vida de muitas pessoas que agora desejam e buscam estar na presença do Senhor não mais um só dia da semana, mas em todo o tempo. Ouvir a voz de Deus, ser movido pelo Espírito Santo deixou de ser um paradigma para se tornar realidade.
            Estranhamente um mover começou a mudar a igreja evangélica que sentiu-se tão próxima de Deus que decidiu exigir aquilo que acreditava ter direito. Pastores passaram a apascentar a si mesmos enquanto usavam erroneamente da teologia da prosperidade. Ter um padrão de vida elevado passou a ser prioridade, já que somos tão próximos do nosso Pai e podemos exigir a herança. A ‘intimidade desrespeitosa’ não aproximou ninguém de Deus e não mudou vidas, não restaurou, não curou, não fez milagres. Apenas formou um exército de crentes que lutam somente as suas batalhas que são travadas todos os dias por um propósito egoísta e medíocre de buscar em Deus as riquezas que a traça e a ferrugem consomem e outras coisas supérfluas que não edificam e não salvam vidas. O que Jesus disse para os seus discípulos antes de iniciar a última ceia, expressava seu mais sincero e ardente desejo de estar conosco e comungar. Jesus falava palavras afetuosas com tamanha facilidade e demonstrava aquilo que transbordava em seu coração. E estas palavras soam até hoje aos nossos ouvidos quando lemos os evangelhos, onde podemos ver o quanto nos amou.
            Seu amor não muda, o sacrifício que fez na cruz do calvário transforma vidas até hoje e seu sangue é derramado sobre nós quando nos arrependemos. Temos acesso livre e podemos estar com Ele ao caminhar, ao sentar, ao levantar, ao dormir. Jesus subiu para o céu e nos deixou o Consolador que vive em nós, nos faz sentir sua presença e seu amor que não muda, não diminui, permanece o mesmo.
            Voltemo-nos para o Senhor, prostremo-nos diante Dele louvando e bendizendo seu santo nome. Humilhemo-nos e busquemos uma vida de santidade, separada do pecado, do mundo. Nós podemos ouvir sua voz, podemos ser cheios do seu Espírito e antes mesmo que desejemos isto, Ele quer estar conosco e nos transformar para que possamos ter momentos agradáveis que construa um relacionamento firme e inabalável com Jesus que anseia por isto. Seu trono não o separou de nós. Aleluia!     

            

Palavrantiga - Vem Me Socorrer (Acústico)

domingo, 5 de outubro de 2014


Quando Deus escolhe alguém!

“E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura.” Marcos 16:15


Quando Deus escolhe uma pessoa para algum propósito específico, não o faz de acordo com os nossos padrões. Não utiliza os mesmos critérios que utilizamos, bem como não atenta para os mesmos detalhes que observamos. Temos expectativas em relação aos outros que muitas vezes refletem os nossos traumas, as nossas decepções, ou mesmo pequenas experiências ruins que tivemos.
            A forma como analisamos as outras pessoas declaram muito mais quem somos do que o que a pessoa que está sendo analisada é. Não que para sermos bons temos que concordar com tudo, muito pelo contrário, mas temos que ser justos ao julgar. Quando as conquistas dos outros são motivo de críticas ou zombaria, isso mostra que não somos capazes de realizar nossas próprias conquistas e as dos outros nos causam inveja. Quando os fracassos dos outros geram em nós satisfação e temos o prazer de dizer que já esperávamos por isso, é porque estamos esperando sempre o pior dos outros.
            Quando Deus nos chama para algum propósito, não estamos em posição de analisar os outros, mas sermos analisados e as críticas podem nos surpreender bastante. Não podemos esperar que todos se levantem e nos saúdam, ou fiquem felizes por nós. Seremos alvo das mais duras e perversas críticas que refletirão a personalidade e o caráter dos que nos cercam. Se esperarmos estar prontos para sermos chamados, isso não acontecerá e quando formos chamados teremos que subjugar a carne, sabendo que isso é uma luta constante, reconhecendo nossas limitações e sabendo que todas serão vistas e apontadas pelas pessoas ao nosso redor. Estamos neste mundo de passagem e não podemos permitir que as opiniões contrárias nos impeçam de cumprir o propósito que temos e para o qual fomos criados.
            Lidar com os outros não é muito fácil, e lidar com as opiniões dos outros é tarefa bem mais complicada. Mas lembremo-nos que o mais importante em nossas vidas é a forma como nos relacionamos com Deus. Se formos sinceros o suficiente diante daquele que vê e sabe todas as coisas, conseguiremos ser claros o suficiente diante da nuvem de expectadores que nos rodeiam.  Sem usar de engano, sem manipular a palavra ao nosso favor, sem artifícios ou estratégias medíocres que apenas envergonham o evangelho. Que nossas atitudes reflitam a personalidade daquele que nos chamou e que nos capacita para que seu reino seja estabelecido em nossas vidas e na vida de todos aqueles que conseguiremos alcançar com o nosso testemunho.

            

quinta-feira, 28 de agosto de 2014



Amemo-nos uns aos outros.


“Ora, antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim... Ora se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis lavar os pés uns aos outros.”
(João 13:1 e 14)


Temos o hábito de ler a Bíblia e meditar nos ensinamentos de Jesus separadamente. Cada ensinamento tem uma correlação e não se pode aprender e praticar uns e não outros. Se estamos em Cristo precisamos viver o seu evangelho na íntegra, não conseguiremos ser exatamente iguais a ele, mas imitar seus passos e tê-lo como referencial constante em nossas vidas, demonstra a importância que ele tem para nós.
            Jesus disse que quando alguém nos ferir na face, devemos dar a outra. Esse gesto é nobre e demonstra que realmente fomos transformados pelo Senhor. Dar a outra face requer maturidade porque não se trata de perdoar e dar as costas para a pessoa que nos feriu, e sim permanecer frente a frente com ela, correndo o risco de ter a outra face esbofeteada da mesma forma. Liberar perdão e abençoar a vida de pessoas que nos humilharam e ofenderam é bastante fácil, no entanto, demonstrar perdão ao ponto de poder sofrer a mesma afronta, demonstra amor genuíno. E se não amarmos nossos irmãos que vemos, como amaremos a Deus que não vemos? Amar não é escolher como tratar as pessoas e como nos relacionarmos com elas minimizando ao máximo as possibilidades de nos decepcionarmos com elas novamente, amar é estar perto o suficiente para sofrermos o dano de ter a face marcada e mesmo assim mostrar que a outra ainda está ilesa e estamos dispostos a correr este risco mais uma vez.
            Obedecer aos mandamentos de Jesus não é fácil, principalmente quando temos que nos aniquilar e colocar nossas vontades de lado, abrir mão de fazer nossas próprias escolhas para decidir por fazer o que não queremos. Dar a outra face é um gesto que nos mostra que não somos capazes de amar, pois sozinhos não faríamos esta escolha. Quando decidimos agir assim percebemos que não somos bons o suficiente para fazer isso, mas Cristo que é soberanamente bom para nos exortar a tomarmos esta decisão e o fazemos apenas por obediência, pois nossa vontade é dar o troco e desejar que a outra pessoa sofra o dano que sofremos.
            O que diremos do gesto de Jesus quando lavou os pés dos seus discípulos? Mesmo sendo mestre e Senhor se humilhou e nos ensinou que aquele que está em posição superior não se exalte, antes tenha os outros com estima o suficiente para honrá-los desta forma. Há pessoas que ultrapassam nossa cota de paciência e exigem de nós um grande esforço para liberar perdão, quando erram diversas vezes e não entendem que o princípio de dar a outra face está sendo praticado por nós mas não está sendo respeitado por elas. Mas quando lavamos os pés do nosso próximo, dizemos para ele que esta relação ultrapassa a simples liberação de perdão e que não apenas daremos a outra face, mas o honramos reconhecendo que existe uma aliança inquebrável entre nós.

            A igreja de Cristo está doente porque prega o perdão, mas não o vive, não dá a outra face e uns não lavam os pés dos outros, antes cada um quer honra para si e não considera os outros superiores. Se entendermos este princípio de dar a outra face e sua ligação com o de lavar os pés acabando com as acusações do diabo e enfraquecendo seu campo de ação, poderíamos declarar com mais precisão que somos verdadeiramente um corpo unido. Esqueçamos as desculpas e as razões que temos para nos manter irados. Deixemos de lado todo orgulho e soberba para que não nos afastem do nosso galardão. Amemos a todos com sinceridade e pureza de coração. Se amarmos uns aos outros estaremos amando a Jesus, autor e consumador da nossa fé.

terça-feira, 8 de julho de 2014


Como assim?

“Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço.” Romanos 7:19.

Não é por que uma pessoa não aceita a Cristo que não o quer. Nem todas as pessoas agressivas são assim por escolha própria. Uma pessoa reprimida, não é necessariamente arrogante. Estamos acostumados a ver as coisas do nosso jeito e projetamos as nossas deficiências nas outras pessoas. Temos dificuldade de entender que uma pessoa com histórico de prostituição não deixará a prática com facilidade. Nossa ótica e a forma como compreendemos o mundo ao nosso redor, ou seja, nossa leitura do mundo, diz muito mais ao nosso respeito do que a respeito daquilo que nos cerca.
Nos empenhamos em criticar, nos envolvemos em fofocas e revidamos as ofensas quando somos limitados e incapazes de lidar com estas situações. Deus não espera que sejamos perfeitos, quer que sejamos humanos. Precisamos olhar as coisas como elas são e deixar as acusações de lado. Se tivermos complexo de inferioridade tudo será difícil demais para processarmos, se tivermos o desprazer de nos achar auto suficientes, perderemos oportunidades de compartilhar as nossas fraquezas e assim, aprender com alguém melhor que nós em algum aspecto. Paulo nos diz que o bem que ele quer fazer não faz e o mal que não quer faz. Somos um reflexo daquilo que aprendemos ao longo de toda a vida, e aprendemos mais observando, principalmente o que presenciamos quando crianças, por isso crescemos achando que as pessoas devem ser parecidas conosco e não nos permitimos aprender coisas novas, novos hábitos, novos costumes, novos comportamentos. O mundo é muito maior que nossa pequena caixa de certezas que guardamos com tantas reservas, nos envolvemos numa bolha para limitar a influências das outras pessoas nas nossas vidas. Pastores criam calos em suas cordas vocais e precisam voltar a pregar as mesmas coisas todos os domingos, na dúvida se finalmente serão ouvidos ou não.
Estamos ocupados demais com os nossos pensamentos superficiais para tentar compreender as outras pessoas, e na verdade isso não nos torna piores, apenas iguais a todo mundo. Se fizéssemos aquilo que é nossa obrigação como amar, perdoar, ajudar, ofertar, suportar estaremos fazendo o mundo um lugar melhor. Talvez consigamos influenciar algumas pessoas próximas a nós e percebamos que somos mais alienados do que pensávamos.

segunda-feira, 23 de junho de 2014


Tomando posse da vitória!

“Levanta-te, percorre essa terra, no seu comprimento e na sua largura; porque a ti a darei” (Gênesis 13:17)

            Abraão era um homem temente a Deus e obediente ao ponto de ser escolhido para se tornar pai de uma grande nação. Ele não questionou o cumprimento de todas as promessas, antes morreu sem ter visto sua descendência numerosa e em posse da terra que lhe foi prometida.
            As promessas de Deus não devem ser motivo de ansiedade ou preocupação. Antes mesmo que desejemos receber bençãos, Deus deseja nos abençoar e cumprir seu propósito em nossas vidas no tempo oportuno e da forma certa. O privilégio  de ter um filho em seus braços e vê-lo crescer foi concedido a Abraão como um presente de Deus, mas a conquista da terra prometida somente foi concedida à sua descendência. Precisamos entender que não fomos criados por Deus para viver uma vida de plena satisfação, tendo todos os nossos desejos atendidos, antes existimos por um propósito maior conforme a vontade de Deus.
            Abraão não teve o privilégio de possuir a terra prometida, no entanto, cumpriu uma importante tarefa que foi significativa para este propósito. Ao delegar a Abraão a tarefa de percorrer a terra Deus estava fazendo-o ver a magnitude da benção que seus descendentes receberiam. Através deste gesto ele tomou posse de toda aquela extensão geográfica no reino espiritual. Muitos anos depois, quando Josué liderou todo o povo na conquista das terras, elas já pertenciam ao povo, bastava tomar posse do que era deles por direito.
            Para possuir a terra de Canaã era preciso primeiramente conquistar a cidade de Jericó, que bem fortificada, não seria invadida com facilidade. Humanamente falando, seria impossível derrubar as muralhas, pois Israel esteve no deserto por quarenta anos sendo sustentado por Deus, sem ao menos ter a necessidade de produzir seu próprio alimento, e de repente vê-se em frente a uma fortaleza ‘intransponível’. No entanto quando o povo chegou diante desta cidade”, já tendo a sitiado, pois ninguém entrava ou saía dela, o Senhor falou a Josué: “Saiba que entreguei nas suas mãos Jericó, seu rei e seus homens de guerra.” (Josué 6:2). A terra já pertencia aos hebreus, bastava que a vontade de Deus se cumprisse no plano físico, assim como já estava determinado no céu. “Venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.” A salvação dos nossos familiares, a cura, dentre outras bençãos devem nos ser liberadas primeiramente no reino espiritual conforme a vontade de Deus, para que possamos gozá-las de fato aqui na terra.

sábado, 21 de junho de 2014


Filhos espirituais

“Porque ainda que tivésseis dez mil aios em Cristo não teríeis contudo muitos pais; porque eu pelo evangelho vos gerei em Jesus Cristo.” I Coríntios 4:15.

            Os filhos espirituais são gerados sempre que vidas se rendem aos pés de Jesus por intermédio de quem orou, jejuou e batalhou no reino espiritual para que estas vidas fossem salvas para glória de Deus. Não basta ganhar uma alma para Cristo se não acompanhar seu crescimento e desenvolvimento até que esteja firmada e assim permitir que o inimigo roube-a. Um exemplo que encontramos na Bíblia é Timóteo, chamado de ‘filho amado’ por Paulo em uma carta. Mas temos um exemplo de um pai biológico que não gerou seus próprios filhos no reino espiritual e não batalhou por eles, Ezequias.
Vemos no livro do profeta Isaías no capítulo 5 que tendo o rei Ezequias recebido o filho do rei da Babilônia em seu palácio e mostrado todos os seus bens, o ouro, a prata, as especiarias e tudo quanto se achava nos seus tesouros, foi informado pelo profeta Isaías que este gesto não agradara a Deus e que tudo o que possuía, seria levado e seus filhos seriam tomados para serem eunucos no palácio do rei da Babilônia. Para nossa surpresa esta revelação do profeta não causou preocupação no rei Ezequias que disse: “Boa é a palavra do Senhor que disseste. Disse mais: Porque haverá paz e verdade em meus dias.” (Isaías 39:8).  Sua prioridade era seu próprio bem estar, sendo assim, o que acontecesse com seus filhos após sua morte não faria diferença alguma para ele.
            Antes deste episódio o rei Ezequias fora informado pelo mesmo profeta que seus dias estavam chegando ao fim e deveria preparar-se e preparar sua casa para isto, esta revelação causou-lhe grande tristeza e humilhou-se na presença de Deus rogando que tivesse misericórdia de sua vida e lhe acrescentasse mais alguns anos, este pedido foi concedido pelo Senhor. Contudo, ao saber o que aconteceria aos seus filhos e todo o sofrimento que eles enfrentariam não demonstrou tristeza alguma e não rogou da mesma forma como fizera por sua vida. Ezequias era pai biológico de seus filhos, e apenas isto. Muitos dos pais que fazem parte do corpo de Cristo não se dão ao trabalho de gerar seus próprios filhos biológicos como filhos espirituais no reino espiritual. E como podemos gerar filhos espirituais?
            Existem muitas semelhanças quanto à concepção e criação de filhos espirituais e naturais. Um filho espiritual deve ser gerado com dor. A dor do parto também é sentida quando se gera uma vida no reino de Deus, pois cada alma que é livre da morte e do pecado requer renúncias e comprometimento por parte daqueles que a geram. Os cuidados devem ser diários com os filhos recém-nascidos em Cristo, sabendo que seu alimento não pode ser sólido, e mesmo sendo líquido deve alimentar o suficiente para que cresça forte e saudável. As noites mal dormidas de choro por causa de cólicas ou coisas do tipo podem ser entendidas como as madrugadas de intensas orações e clamor para que os percalços de sua jornada não afetem esta alma que ainda esta se firmando.
            As palavras duras de repreensão e os castigos são usados quando já se tem idade suficiente para entender e aprender a associar os ensinamentos de forma madura causando crescimento verdadeiro. Os abraços de amor e palavras de afeto devem ser constantes para que se entenda que mesmo que seu mundo esteja de cabeça para baixo, existe esperança e há um motivo para se viver. A sinceridade e honestidade de quem gera uma vida contribuem muito mais na formação do caráter de seus filhos do que livros e pregações extensas e cheias de palavras bem ensaiadas que seguem todos os padrões da homilética. As duvidas e medos, os acertos e erros por parte dos pais na fé existem todo o tempo, e muitas vezes temos a sensação de que tudo o que podemos fazer é orar e torcer para que dê tudo certo.
            Nem sempre sabemos se o que estamos fazendo é realmente o certo e somos confrontados com nossas dificuldades e imperfeições todos os dias. Gerar uma vida como pais naturais não é uma tarefa fácil e fazê-lo no reino espiritual é um pouco mais difícil, mas deve ser feito e esta tarefa não compete apenas aos pastores e líderes da igreja, e sim à todo o corpo de Cristo. Precisamos gerar vidas tanto daqueles que perecem espalhados pelo mundo, quanto dos nossos próprios filhos que geramos naturalmente. Não podemos fazer como o rei Ezequias que não se importou e viveu tranquilamente até seus últimos dias de vida, mesmo sabendo que seus filhos teriam um futuro de escravidão.  

            Que o Senhor nos capacite para esta missão para a qual nos chamou, dando-nos sabedoria em tudo, para que nossos filhos nos tomem como exemplos e que o legado que deixarmos seja potencialmente importante para o reino de Deus.

sábado, 17 de maio de 2014


Quando Deus faz um milagre!

“Estes sinais acompanharão os que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal nenhum; imporão as mãos sobre os doentes, e estes ficarão curados.” Marcos 16:17 e 18.


                Um milagre é algo que muitos esperam, e apesar do significado da palavra, não se trata de algo inalcançável. De acordo com o ponto de vista daqueles que esperam pelo mover de Deus, uma porta de emprego pode ser considerada um milagre. Mas na verdade um milagre é o impossível, humanamente falando. Se, esperamos um milagre, pelo menos, devemos esperar por algo que não está ao nosso alcance. Um emprego, a constituição de uma família, a aquisição da casa própria e outras coisas assim são bênçãos, mas elas não são necessariamente um milagre.
                O povo de Deus ultimamente tem aguardado sentado por coisas que devem ser conquistadas com esforço. Esperando que as coisas caiam do céu de forma inusitada, surpreendendo-o, pois espera  viver emoções novas no sobrenatural a cada dia. O sobrenatural é algo incrível e existe de fato, se orarmos e pedirmos a cobertura do sangue de Jesus, seremos verdadeiramente cobertos. Mas não podemos esperar apenas pelo sobrenatural de braços cruzados sem fazer a nossa parte e cumprir com as nossas obrigações no reino de Deus. Se, esperamos o milagre, que seja algo incrível, pois temos colocado nossas expectativas em realização de coisas que deveriam ser apenas uma conquista nossa, ou bênçãos vindas de Deus. Quando dizemos que a aquisição de um carro novo é um milagre, desmerecemos o verdadeiro significado da palavra e não compreendemos o peso que ela tem. Se diminuirmos a palavra milagre para algo tão simplório, uma mãe que esta com seu filho em estado terminal, um pai que faz quimioterapia, um filho com leucemia, deveriam dizer o quê? Que esperam por um milagre?
                Temos o costume de enaltecer os nossos problemas, supervalorizar nossas dificuldades e ter a audácia de achar que a resolução dos mesmos seria um grande e fabuloso milagre. Até os milagres dependem de alguma contribuição nossa para serem realizados, Deus não faz nada sozinho, podemos dizer que ‘Ele gosta de trabalhar em equipe’. Quando a viúva procurou o profeta Eliseu, ele lhe perguntou o que ela tinha em casa. Ela, então, respondeu que tinha um pouco de azeite, o profeta lhe disse para pegar vasilhas emprestadas com seus vizinhos. Ao obedecer o profeta, o azeite se multiplicou dando-lhe a possibilidade de vendê-lo e, assim pagar suas dívidas e sustentar seus filhos. Isso foi um milagre, porque nunca tivemos a oportunidade de ver algo parecido em nossas vidas ou mesmo na vida de pessoas próximas a nós. Mesmo sendo um milagre, a viúva precisou agir para presenciar um milagre em sua casa.
                Estamos vivendo um tempo em que palavras bíblicas são usadas como chavões para lotar cultos onde, na verdade, tudo o que Deus espera é falar conosco e não encher-nos de promessas, temendo que nos frustremos e não voltemos mais à igreja. Deus não tenta nos iludir, ou nos motivar, modificando o sentido das palavras e o significado de coisas sagradas que devem ser vistas da forma como realmente são, perdendo assim sua importância. Precisamos, sim, de muitas coisas e não podemos viver sem Cristo, mas uma coisa que precisamos com urgência é amadurecer. A igreja de Cristo está cheia de fiéis desanimados que vivem mergulhados em uma autocomiseração sem fim. Necessitam de palavras de carinho e de pregações de autoajuda para desejarem voltar no próximo culto. Palavras de exortação e de repreensão não são bem vindas, por isso estão se tornando cada vez mais raras. Nos esquecemos que Deus não precisa de nós, nós é que precisamos dele, não podemos negociar nossa vida cristã com um pouco de aconchego para satisfazer desejos infantis.

                Quando Deus faz um milagre, vemos em nossas vidas o impacto de algo grande e poderoso. Devemos desejar um milagre, ou do contrário não teremos um coração abrasado e esperançoso pelo sobrenatural que Deus deseja realizar em nossas vidas. Mas se não precisamos de um milagre, que sejamos um canal para que Ele possa fazer isto acontecer na vida daqueles que realmente precisam. Deus não nos chamou para encher-nos de bênçãos e satisfazer todos os nossos desejos, Ele nos chamou para fazer parte de um exército capaz de abalar o reino das trevas e destruir as obras do diabo. Estejamos prontos para guerrearmos contra o mal e estabelecer o reino de Deus onde estivermos, para que o nome Dele seja glorificado. Amém!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Pr. Antonio Cirilo - Não Há nada Maior (+playlist)

O que dizer quando tudo já foi dito?

“Cantem a Deus, louvem o seu nome, exaltem aquele que cavalga sobre as nuvens; seu nome é Senhor! Exultem diante dele!” Salmos 68:04.


            Uma coisa é certa, já nascemos com o desejo de adorar e adoramos a Deus desde que nascemos. A palavra de Deus nos diz que da boca das crianças e dos que mamam Ele suscita o perfeito louvor. O cristão que não sente o desejo de adorar e prostrar-se na presença Daquele que é digno de receber honra, não nasceu de novo ou esqueceu-se completamente do primeiro amor. Render-se aos pés de Jesus é a melhor sensação, esse é o melhor momento de nossas vidas, quando podemos nos afastar de tudo e de todos para estar a sós com Jesus. Só então nos sentimos completos, realizados, plenos. A satisfação de fazer parte do reino de Deus e ter comunhão com o próprio Rei é única, exclusiva.
            Quando estamos apaixonados costumamos suspirar e pensar na pessoa amada em todo o tempo. Contamos os minutos, os segundos para vê-la, com aquele frio na barriga devido à ansiedade. Gastamos tempo nos arrumando, pensamos nas palavras que diremos para tocar o coração de quem amamos. Quando juntos, aproveitamos cada momento e sempre nos despedimos com o coração partido. Os momentos agradáveis que desfrutamos com essa pessoa são lembrados e passam em nossas mentes como flashbacks. Procuramos oferecer à pessoa amada o que temos de melhor do nosso tempo, dos nossos recursos com presentes, e dizemos palavras de amor para expressar o que ela realmente significa para nós.
            O amor que sentimos por Deus, deve nos fazer suspirar, sonhar, ansiar por aquele momento único em que sentimos sua presença e dizemos palavras de amor como se sussurrássemos ao seu ouvido para ninguém mais ouvir. Em outros momentos queremos gritar aos quatro cantos do mundo para que todos ouçam e saibam quem Ele é e o quanto o amamos. Quando estamos apaixonados por Ele os cultos não são enfadonhos e não vamos à igreja para bater o ponto ou para que ninguém faça comentários negativos a nosso respeito. Empolgamo-nos em cada reunião e em cada momento de comunhão, nos alegramos por poder nos reunir na casa de Deus para adorá-lo. Também aproveitamos os momentos em que ninguém está em casa ou quando todos estão dormindo e o silêncio impera, para falar com Ele e ouvir sua voz. Gostamos de sentir um arrepio leve que começa na espinha, e gostamos de sentir o fogo ardendo levando-nos a pular e adorar de forma extravagante.
            Mas em algum momento de nossas vidas os momentos de comunhão nos parecem iguais aos outros que já existiram e as palavras não fluem da mesma forma como antes. Nos sentimos repetitivos e dizendo sempre as mesmas palavras, não encontramos nada novo, questionamos a autenticidade da nossa adoração e tememos não ser ouvidos como já fomos um dia. O que dizer quando parece que todas as palavras já foram ditas? As declarações de amor acabam sendo repetidas, as demonstrações de admiração não são inusitadas, não há nada novo ou surpreendente. Sabemos que Deus ouve, sabemos que ele conhece os nossos corações, mas não queremos nos acostumar a dizer sempre as mesmas coisas e fazer tudo como sempre fizemos, queremos que aja algo novo acontecendo e queremos ter experiências novas. Queremos que Deus receba uma adoração genuína que brote no fundo do coração, não algo ensaiado e repetitivo.
            Então nos deparamos com uma realidade que não muda e com algo que será sempre igual, o fato de que Deus continua sendo Santo, sua grandeza não muda, seu poder permanece o mesmo e nós é que estamos em constante transformação e crescimento, por isso buscamos novas emoções. Olhamos e vemos quão grande e poderoso Ele é, e tudo o que temos para dizer é: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus todo poderoso. E repetimos isso até não conseguirmos mais pronunciar palavra alguma, e o silêncio aparece de mansinho mostrando-nos que está tudo como sempre esteve, a presença de Deus, o aconchego Dele nos envolvendo.
            Nada mudou, o coração de quem ama a Deus permanece o mesmo diante de um Deus que continua conosco sem que aja marasmo, monotonia. O prazer de desfrutar da presença de Deus não é enfadonho. Se tivermos que dizer o que já foi dito, diremos e nos deleitaremos a cada palavra, a cada sílaba pronunciada. Comtemplar a majestade do Altíssimo nos faz ter um novo ângulo de visão e uma nova satisfação em cada momento de comunhão. As palavras que já foram ditas e repetidas várias vezes, voltam e expressam os mesmos sentimos e outros novos que surgem a cada dia nos fazendo suspirar como se o fizéssemos pela primeira vez. Acordar e estar com Jesus, voltar nossos pensamentos para Ele enquanto olhamos os raios de sol que iluminam o início de uma nova manhã, não pode ser feito da mesma forma todos os dias, por isso fazemos como se fosse a primeira vez. Olhar o entardecer e o anoitecer e cantar canções de amor todos os dias, não pode ser um gesto pobre em sua simplicidade, mas grande e feito como se fosse feito pela primeira vez.

            Tudo se torna novo e tudo o que é novo remete ao que já foi feito ou se assemelha ao que já passou. As palavras que outrora regavam os momentos sublimes são ditas novamente tornando os momentos de agora tão sublimes como antes. A majestade, o poder e a grandeza de Jesus são suficientes para nos surpreender e nos fazer enxergar que palavras são apenas palavras e podem ser repetidas quantas vezes houver a necessidade de dizer à Ele o quanto o amamos e o quanto desejamos estar em sua presença. 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

O irmão do filho pródigo

Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?
Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?
Romanos 8:31-32

Certa vez ao ler a parábola do filho pródigo que se encontra em Lucas 15:11-32, algo me chamou a atenção.  Cada vez que lemos a Bíblia, Deus nos fala de forma diferente.  A leitura da Palavra nos possibilita ouvir a Deus. Pois desta forma Paulo ensinou: “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus.” Ele quis mostrar que a fé é por ouvir, mas não ouvir a Palavra, e sim ouvir a Deus através da Palavra. Quando estava lendo a parábola do filho pródigo percebi que Jesus não se preocupou apenas em falar sobre o filho que depois de ter errado se arrepende e volta, ou apenas do pai que prontamente o recebe, acolhe e honra.
A parábola do filho pródigo tem também a intenção de relatar a reação de um terceiro personagem pouco enfatizado quando nos lembramos da estória. Ela fala de um irmão que não se alegra ao ver o caçula retornar, pois o mesmo  gastou parte da herança e mesmo tendo feito isso é acolhido recebendo roupas novas; perdoado, pois  recebe calçados e só os escravos andavam descalços e honrado quando ganha um anel. Ao ouvimos a crítica dele entendemos que é natural que tenha sentido ciúmes. Se trouxermos isso para nossa realidade veremos que o irmão mais velho possuía reais razões para se chatear. O que seu irmão havia feito não foi um ato de irresponsabilidade que tenha trazido danos apenas para si. Ele teve a infelicidade de gastar parte do patrimônio da família prostituindo-se. Como mostra o versículo 30: “Mas quando volta para casa esse teu filho, que esbanjou os teus bens com as prostitutas, matas o novilho gordo para ele.”
Se ouvirmos algo semelhante nos dias de hoje sentiremos um pouco de revolta ao pensar na inconsequente atitude de um filho que aja de forma tão egoísta e irresponsável. No entanto, por trás de uma reinvindicação ‘justa’ há a manifestação de um sentimento mesquinho. Sua única preocupação é com o que seu irmão recebeu de seu pai e ele não. O que move seu coração é algo tangível, palpável. O dinheiro é mais importante que seu irmão, ao ponto dele não se importar com o estado em que seu irmão voltou para casa, se bem ou não e sim com quanto ele conseguiu desperdiçar. O amor inalterável do pai incomoda-o, pois ele quer justiça, ele espera ser recompensado enquanto que seu irmão precisa ser castigado. Tem algo que salta através de suas palavras e de sua atitude que mostra uma característica sua: a ausência da graça.
Diante de um ato de graça demonstrado pelo pai por um filho que arrependido volta para casa, Jesus quis mostrar também a atitude mesquinha, porém com justificativas ‘aceitáveis’, do filho que age de forma correta, mas o pai não o recompensa. Humanamente falando ele estava exigindo o que era seu por direito, ou seja, ter reconhecimento por tudo o que era e o que havia feito. E quantas vezes achamos que temos que ser reconhecidos? Demonstramos ciúmes quando vemos outra pessoa sendo honrada. Nossas justificativas muitas vezes são plausíveis e achamos que se pra nós conquistarmos algo o caminho é difícil, não aceitamos que pra outras pessoas não seja. Isso nos incomoda, não conseguimos nos alegrar com os que se alegram. Somos medíocres demais pra isso. Certa vez ouvi alguém dizer que não acredita que um criminoso é perdoado se ele se arrepender minutos antes de morrer. Minha condição humana tem dificuldades para entender que parâmetro Deus utiliza para estabelecer quem recebe o perdão, mas o ladrão da cruz me faz ver que o único requisito é um arrependimento real e não o tempo que temos de caminhada com o Senhor.
O perdão é imediato, não é gradativo. Se nos arrependemos automaticamente somos perdoados por Deus, isso é bem difícil de compreendermos, pois nossa natureza pecaminosa não consegue entender o grande amor de Deus. As consequências dos nossos pecados virão, quem praticou algum crime deve pagar diante da justiça, e quem cometeu erros menos graves também há de arcar com as consequências de seus atos. Mas a parábola nos impacta com a incrível capacidade que o Pai tem de não demonstrar nenhuma objeção em receber seu filho, e de tentar convencer o filho mais velho a entrar e participar da festa como nos mostra o versículo 28: “O filho mais velho encheu-se de ira. Então seu pai saiu e insistiu com ele.” O pai não demonstra preferência por nenhum dos filhos, mas demonstra maior graça para o que mais precisava, o filho rebelde. Como vemos em Romanos 5:20 “... Mas onde aumentou o pecado, transbordou a graça.”
Nós temos muito do que nos arrepender e nos humilhar na presença de Deus, mas o fazemos com restrições, afinal ‘não somos tão pecadores assim’. E é isso que nos impede de sermos cheios da graça de Deus, nos achamos bons demais para ela. E quanto aos viciados, aos marginalizados, às prostitutas? Quando alguém assim se arrepende não consegue usar a mascara que usamos, pois eles sabem quem realmente são e se rendem muito mais aos pés de Jesus pois está explícita a necessidade de perdão em suas vidas. É por isso que muitas vezes Deus nos abate, nos faz passar por situações em que somos humilhados ou ficamos enfermos, só assim percebemos que não somos nada.
As igrejas têm pecado brutalmente na forma como recebem os ‘desgraçados’, ou seja, os sedentos pela graça de Deus. Se uma mulher entrar na igreja com roupas decotadas e batom vermelho é olhada de cima a baixo e ninguém a cumprimenta porque ela é suja demais e as pessoas não querem se misturar com esse tipo de gente. Muitos visitantes se sentem julgados pelos olhares maldosos de pessoas ‘puras demais’. Enquanto tantas igrejas se julgam acolhedoras, no entanto, não recebem a todos com amor, principalmente os que são muito pobres, marginalizados e os que visivelmente se encontrar à margem da sociedade. A igreja não sabe amar e não demonstra a graça que de Deus tem recebido.
Enquanto aquele que jamais pecou comia com publicanos e pecadores, demonstrava amor por prostitutas, nós, pecadores somos santos demais para fazer isso. Quantas vezes percebemos a ausência da graça entre nós mesmos quando alguns e outros irmãos não se falam, não se suportam e até competem dentro da igreja. Por outro lado somos congregacionais demais e priorizamos o acúmulo de cargos de liderança, as festas e comemorações vãs que tão pouco contribuem para ganhar almas e prepara-las para a vida eterna. Esquecemos que estamos aqui de passagem e temos que nos preparar para o céu onde não haverá falsidade, orgulho e seremos todos iguais diante do pai.
Diante de tudo que tenho visto entre os cristãos uma pergunta que não consigo responder é: Será que somos capazes de dar aos outros um pouquinho do que temos recebido do Pai? Misericórdia, amor e graça que temos recebido, será que conseguimos demonstrar pelos outros? Diante do que temos visto a resposta é não. Mas é possível darmos um pouco do que recebemos? Não só podemos fazê-lo, como devemos. Aquilo que o homem recebe de Deus e retém é o suficiente para si e pode ficar satisfeito. Mas quando recebe e compartilha com os que também precisam, multiplica-se cada vez mais. É algo sobrenatural, inexplicável. Se você não tem sentido a unção de Deus sobre a sua vida, precisa se derramar mais e não ter mais reservas diante do Pai, para que ele possa transbordar a graça, o amor e a unção Dele em sua vida. Por isso cultive o amor pelas almas perdidas. Deixe o Espírito Santo te fazer sentir o que Jesus sentiu quando aquela mulher adúltera estava prestes a ser apedrejada. A capacidade de Deus de amar incondicionalmente e perdoar é inigualável.