segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Fruto do Espírito

“Mas o fruto do Espírito é: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” Gálatas 05:22.

Jesus nos conta a parábola de uma figueira plantada em uma vinha. E esta figueira não gerava fruto há pelo menos três anos. O senhor da vinha decidido a arrancá-la, delegou esta tarefa ao vinhateiro, que se compadecendo da figueira lhe disse: “Senhor, deixa-a este ano, até que eu a escave e a esterque. E se der fruto, ficará, e, se não, depois a mandarás cortar” Lucas 13:8b-9. Através desta parábola, Jesus nos ensina que todo aquele que não gerar fruto é cortado e desligado do reino de Deus.
Assim como os reinos desta terra tem leis que os regem, o reino de Deus também tem. Imagine se cada pessoa utilizar um princípio diferente com base em seus próprios valores. Imagine que em cada situação as pessoas apliquem suas próprias regras. Assim como as leis ajudam a coibir atos que ferem direta ou indiretamente a sociedade, elas também são necessárias nas questões espirituais. A lei que declara crime qualquer ato de violência contra os animais tem o objetivo de coibir tais atitudes e mesmo que alguém não tenha amor pelos animais e não tenha interesse em protegê-los, se sentirá compelido a respeitar esta determinação para que não seja penalizado. As leis que regem o reino de Deus são fundamentais para que, como cidadãos do céu, possamos entender o que se pode ou não fazer. Mas muito mais que isso, elas nos ajudam a enxergar as características de um servo do Senhor.
As leis de Deus não se baseiam em qualificar crimes ou criar penas para eles. Vão além de julgar gestos e atitudes e vão além daquilo que é aceitável aos olhos humanos. Elas são usadas para avaliar-nos como um todo, corpo, alma e espírito. Gestos, sentimentos, pensamentos. Quando Jesus disse que a árvore que não dá frutos é cortada e lançada fora, esta é uma determinação, ou seja, uma lei que precisa ser observada. Não gerar frutos é sinônimo de morte espiritual e consequentemente de ser arrancado e lançado fora. E não se trata de frutos visíveis aos olhos humanos, mas frutos espirituais visíveis no reino espiritual. Ser um membro atuante na igreja local, entregar o dízimo, ajudar o próximo, não nos torna automaticamente frutíferos se não estivermos ligados em Cristo. Se fizermos todas estas coisas para nos adequar ao ambiente, ou com qualquer outro propósito mundano, não conseguiremos gerar frutos.
Podemos parecer trigo, estar plantado junto ao trigo, mas o que nos diferencia do joio são os frutos visíveis aos olhos de Deus. Qual fruto temos apresentado ao Senhor em nossas casas, na escola, no trabalho? Qual fruto temos apresentado nos nossos pensamentos, nos sentimentos e em lugares onde apenas o Espírito Santo pode contemplar? Quando nos preocupamos se realmente somos produtivos no reino de Deus? Quantas vezes nos angustiamos diante de tal verdade e nos sentimos insignificantes no reino quando olhamos para nós mesmos e não vemos esses frutos. Não vemos aquilo que existe apenas no reino espiritual, não vemos porque nesta vida nunca conseguiremos vislumbrar com olhos carnais as coisas de Deus.
Se oramos por nossas famílias, se nos arrependermos diante de Deus ao cometer um erro, se buscarmos a transformação das nossas mentes para não nos conformar com este mundo, estamos gerando frutos espirituais invisíveis aos olhos humanos, mas vistos por Deus. Assim como vidas resgatadas do reino das trevas, auxílio financeiro em favor dos necessitados, dentre outras coisas que também geram frutos. Mas quando estamos ligados a Cristo não nos delimitamos a determinados gestos. Estendemos que tudo o que diz respeito às nossas vidas pode ou não gerar tais frutos. Quando Deus olha para nós, nos vê por completo, como um ser totalmente pertencente a ele e que pode gerar frutos de diversas maneiras. É isto o que ele espera de nós, que sejamos verdadeiramente frutíferos, e em todo o tempo.
Precisamos entender as coisas do alto, precisamos pensar como um cidadão do céu, que tem as suas vestes lavadas pelo sangue do Cordeiro. Precisamos entender o quanto Deus nos ama e o que ele tem feito para que isto se torne uma realidade em nossas vidas. Assim como o vinhateiro da parábola pediu ao dono que lhe desse mais um ano para cuidar da figueira, Jesus intercede por nós e trabalha em nosso favor, preparando-nos e fortalecendo-nos a fim de que venhamos a gerar frutos dignos de arrependimento, para glória de Deus.     

        

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Porque nem sempre Deus atende nossas orações?

“Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” Mateus 18:19 e 20.

            Mediante a afirmativa que encontramos na Palavra de Deus nos versículos citados acima, podemos concluir que se pedirmos algo a Deus ele nos concede? Se isto é uma verdade, porque pedimos tantas coisas que não acontecem e não vemos nossos pedidos atendidos como desejamos?
            Quando lemos todo o capítulo 18 do livro de Mateus, entendemos que Jesus falava que se algum irmão pecar contra outro deve ser repreendido em segredo. No entanto se ele não se arrepender, o irmão ofendido pode chamar mais um ou dois, e em caso dele permanecer resistente seria preciso apresentar o fato à igreja. Mesmo assim, caso ele não aceite a repreensão da igreja, pode ser considerado um pecador. Em seguida Jesus fala que o que dois ou três pedirem a Deus em concordância seria concedido. Vemos claramente neste texto que Cristo se referia a uma situação específica em que alguém é afastado da congregação por ter se corrompido e consequentemente o mesmo mostra-se resistente à correção. O afastamento de um membro é feito por concordância de toda a igreja, assim como a ordenação de um líder ou a agregação de novos membros. Esses dois versículos que lemos em Mateus, não podem ser usados para afirmar que qualquer coisa que pedirmos a Deus em concordância com os irmãos, será feito. O sentido dos mesmos quando observados diante do contexto apresentado pelo próprio texto, nos mostra que não se trata de qualquer oração, mas de uma oração confirmando diante de Deus que determinada pessoa não faz mais parte da congregação de membros da igreja local.
            Quando estudamos os evangelhos nos deparamos com textos e relatos que diferem muito do que temos encontrado nas pregações que têm sido feitas em vários púlpitos espalhados pelo país atualmente. Jesus Cristo nos apresentou um evangelho de entrega e não de recebimento. Ele nos ensina a entregar nossas vidas a Deus e amar o próximo como um estilo de vida em que nossas necessidades básicas tornam-se preocupações secundárias. Em Mateus 6:19: “Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam” podemos observar que as riquezas não são vistas por Jesus como algo importante, devendo cada cristão desapegar-se delas. E no versículo 25: “Portanto eu lhes digo: não se preocupem com suas próprias vidas, quanto ao que comer ou beber; nem com seus próprios corpos, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante do que a comida, e o corpo mais importante do que a roupa?” Vemos que mesmo questões ligadas à nossa própria sobrevivência devem ser de interesse secundário.
            Isso quer dizer que não podemos levar nossos pedidos a Deus em oração? Sim podemos. Mas primeiramente é preciso analisar como está nosso coração. Se ele estiver totalmente voltado para as coisas deste mundo, nossas orações refletirão esses anseios meramente mundanos e carnais. Se ele estiver comprometido verdadeiramente com o reino de Deus, em nossas orações podemos apresentar algumas preocupações do dia a dia, mas vamos priorizar tudo aquilo que é do alto, ou seja, questões realmente importantes para o reino de Deus.  
             Não vemos nossas orações respondidas quando elas são contrárias à vontade de Deus. Existem situações que nem sempre estamos dispostos a enfrentar e recorremos ao Senhor para solicitar que nos livre delas, assim como o próprio Cristo orou: “...Meu pai, se é possível, passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres” Mateus 26:39b. Sentir-se só e infeliz com a realidade ao nosso redor é algo que pode acontecer com qualquer servo do Senhor, no entanto, não podemos permanecer assim, porque tudo o que tivermos que passar tem um propósito. Todas as situações desagradáveis que tivermos que enfrentar virão com uma finalidade para o reino de Deus, mesmo que não entendamos qual seja.
            Precisamos estar em paz com o Senhor sabendo que ele tem o controle das nossas vidas e ouve nossas orações, por isso faz-se necessário avaliar tudo o que levamos a Deus em oração para não continuarmos insistentemente com pedidos egoístas ou que tenham aspirações fora do contexto que o Pai escolheu para as nossas vidas. Apliquemos as palavras de Jesus em nossas vidas: “Vendam o que têm e dêem esmolas. Façam para vocês bolsas que não se gastem com o tempo, um tesouro nos céus que não se acabe, onde ladrão algum chega perto e nenhuma traça destrói” Lucas 12:33.

            Que Deus nos capacite para entender sua vontade e nos dê humildade para cumpri-la, sabendo que nossa recompensa não está neste mundo e nem nas coisas que pertencem a ele. Glória a Deus!