segunda-feira, 23 de junho de 2014


Tomando posse da vitória!

“Levanta-te, percorre essa terra, no seu comprimento e na sua largura; porque a ti a darei” (Gênesis 13:17)

            Abraão era um homem temente a Deus e obediente ao ponto de ser escolhido para se tornar pai de uma grande nação. Ele não questionou o cumprimento de todas as promessas, antes morreu sem ter visto sua descendência numerosa e em posse da terra que lhe foi prometida.
            As promessas de Deus não devem ser motivo de ansiedade ou preocupação. Antes mesmo que desejemos receber bençãos, Deus deseja nos abençoar e cumprir seu propósito em nossas vidas no tempo oportuno e da forma certa. O privilégio  de ter um filho em seus braços e vê-lo crescer foi concedido a Abraão como um presente de Deus, mas a conquista da terra prometida somente foi concedida à sua descendência. Precisamos entender que não fomos criados por Deus para viver uma vida de plena satisfação, tendo todos os nossos desejos atendidos, antes existimos por um propósito maior conforme a vontade de Deus.
            Abraão não teve o privilégio de possuir a terra prometida, no entanto, cumpriu uma importante tarefa que foi significativa para este propósito. Ao delegar a Abraão a tarefa de percorrer a terra Deus estava fazendo-o ver a magnitude da benção que seus descendentes receberiam. Através deste gesto ele tomou posse de toda aquela extensão geográfica no reino espiritual. Muitos anos depois, quando Josué liderou todo o povo na conquista das terras, elas já pertenciam ao povo, bastava tomar posse do que era deles por direito.
            Para possuir a terra de Canaã era preciso primeiramente conquistar a cidade de Jericó, que bem fortificada, não seria invadida com facilidade. Humanamente falando, seria impossível derrubar as muralhas, pois Israel esteve no deserto por quarenta anos sendo sustentado por Deus, sem ao menos ter a necessidade de produzir seu próprio alimento, e de repente vê-se em frente a uma fortaleza ‘intransponível’. No entanto quando o povo chegou diante desta cidade”, já tendo a sitiado, pois ninguém entrava ou saía dela, o Senhor falou a Josué: “Saiba que entreguei nas suas mãos Jericó, seu rei e seus homens de guerra.” (Josué 6:2). A terra já pertencia aos hebreus, bastava que a vontade de Deus se cumprisse no plano físico, assim como já estava determinado no céu. “Venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.” A salvação dos nossos familiares, a cura, dentre outras bençãos devem nos ser liberadas primeiramente no reino espiritual conforme a vontade de Deus, para que possamos gozá-las de fato aqui na terra.

sábado, 21 de junho de 2014


Filhos espirituais

“Porque ainda que tivésseis dez mil aios em Cristo não teríeis contudo muitos pais; porque eu pelo evangelho vos gerei em Jesus Cristo.” I Coríntios 4:15.

            Os filhos espirituais são gerados sempre que vidas se rendem aos pés de Jesus por intermédio de quem orou, jejuou e batalhou no reino espiritual para que estas vidas fossem salvas para glória de Deus. Não basta ganhar uma alma para Cristo se não acompanhar seu crescimento e desenvolvimento até que esteja firmada e assim permitir que o inimigo roube-a. Um exemplo que encontramos na Bíblia é Timóteo, chamado de ‘filho amado’ por Paulo em uma carta. Mas temos um exemplo de um pai biológico que não gerou seus próprios filhos no reino espiritual e não batalhou por eles, Ezequias.
Vemos no livro do profeta Isaías no capítulo 5 que tendo o rei Ezequias recebido o filho do rei da Babilônia em seu palácio e mostrado todos os seus bens, o ouro, a prata, as especiarias e tudo quanto se achava nos seus tesouros, foi informado pelo profeta Isaías que este gesto não agradara a Deus e que tudo o que possuía, seria levado e seus filhos seriam tomados para serem eunucos no palácio do rei da Babilônia. Para nossa surpresa esta revelação do profeta não causou preocupação no rei Ezequias que disse: “Boa é a palavra do Senhor que disseste. Disse mais: Porque haverá paz e verdade em meus dias.” (Isaías 39:8).  Sua prioridade era seu próprio bem estar, sendo assim, o que acontecesse com seus filhos após sua morte não faria diferença alguma para ele.
            Antes deste episódio o rei Ezequias fora informado pelo mesmo profeta que seus dias estavam chegando ao fim e deveria preparar-se e preparar sua casa para isto, esta revelação causou-lhe grande tristeza e humilhou-se na presença de Deus rogando que tivesse misericórdia de sua vida e lhe acrescentasse mais alguns anos, este pedido foi concedido pelo Senhor. Contudo, ao saber o que aconteceria aos seus filhos e todo o sofrimento que eles enfrentariam não demonstrou tristeza alguma e não rogou da mesma forma como fizera por sua vida. Ezequias era pai biológico de seus filhos, e apenas isto. Muitos dos pais que fazem parte do corpo de Cristo não se dão ao trabalho de gerar seus próprios filhos biológicos como filhos espirituais no reino espiritual. E como podemos gerar filhos espirituais?
            Existem muitas semelhanças quanto à concepção e criação de filhos espirituais e naturais. Um filho espiritual deve ser gerado com dor. A dor do parto também é sentida quando se gera uma vida no reino de Deus, pois cada alma que é livre da morte e do pecado requer renúncias e comprometimento por parte daqueles que a geram. Os cuidados devem ser diários com os filhos recém-nascidos em Cristo, sabendo que seu alimento não pode ser sólido, e mesmo sendo líquido deve alimentar o suficiente para que cresça forte e saudável. As noites mal dormidas de choro por causa de cólicas ou coisas do tipo podem ser entendidas como as madrugadas de intensas orações e clamor para que os percalços de sua jornada não afetem esta alma que ainda esta se firmando.
            As palavras duras de repreensão e os castigos são usados quando já se tem idade suficiente para entender e aprender a associar os ensinamentos de forma madura causando crescimento verdadeiro. Os abraços de amor e palavras de afeto devem ser constantes para que se entenda que mesmo que seu mundo esteja de cabeça para baixo, existe esperança e há um motivo para se viver. A sinceridade e honestidade de quem gera uma vida contribuem muito mais na formação do caráter de seus filhos do que livros e pregações extensas e cheias de palavras bem ensaiadas que seguem todos os padrões da homilética. As duvidas e medos, os acertos e erros por parte dos pais na fé existem todo o tempo, e muitas vezes temos a sensação de que tudo o que podemos fazer é orar e torcer para que dê tudo certo.
            Nem sempre sabemos se o que estamos fazendo é realmente o certo e somos confrontados com nossas dificuldades e imperfeições todos os dias. Gerar uma vida como pais naturais não é uma tarefa fácil e fazê-lo no reino espiritual é um pouco mais difícil, mas deve ser feito e esta tarefa não compete apenas aos pastores e líderes da igreja, e sim à todo o corpo de Cristo. Precisamos gerar vidas tanto daqueles que perecem espalhados pelo mundo, quanto dos nossos próprios filhos que geramos naturalmente. Não podemos fazer como o rei Ezequias que não se importou e viveu tranquilamente até seus últimos dias de vida, mesmo sabendo que seus filhos teriam um futuro de escravidão.  

            Que o Senhor nos capacite para esta missão para a qual nos chamou, dando-nos sabedoria em tudo, para que nossos filhos nos tomem como exemplos e que o legado que deixarmos seja potencialmente importante para o reino de Deus.