quinta-feira, 28 de abril de 2016

Para ter o coração curado!

“Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; e ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te o vestido, larga-lhe também a capa; e, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes.” Mateus 05:39 ao 42.

Para ter um coração curado, precisamos muitas vezes perdoar. E o perdão genuíno não é aquele que esquece, mas o que não faz questão de lembrar. É impossível esquecer algo que nos feriu, mas é possível lidar com a dor de termos sofrido, e mesmo assim tomar a decisão de liberar aquela pessoa da culpa. O perdão torna-se mais fácil quando percebemos que quem nos feriu se arrepende e até externa o seu arrependimento com um pedido de perdão, mas ele deve ser liberado independe da atitude da outra pessoa.
Enquanto o perdão é entendido como um sentimento, visto que nossas relações são baseadas pelo que sentimos, por vezes achamos que se não sentirmos desejo de perdoar estaremos sendo hipócritas. Mas na verdade o perdão é uma decisão, e muitas vezes é difícil e dolorosa. Se analisarmos o que Cristo nos ensinou sobre o perdão, vemos que ele nos pede que façamos decisões que nos levem a colocar todos os nossos sentimentos de lado. E não apenas os sentimentos, mas é uma atitude de renúncia ao ego e a algo que criamos sentimentalmente ao nosso redor que é um conjunto de valores que reafirma e atribui importância a nós mesmos. Jesus disse que se alguém nos bater na face direita, temos que oferecer a outra. Quando sofremos uma agressão, passamos por um trauma e isso abala nossa autoestima, ou nos iramos, mas algum sentimento que altera esta áurea de valores que criamos é afetada e invadida de tal forma que acreditamos ter que tomar alguma atitude para recompô-la. Por vezes nos afastamos, em outros momentos revidamos, mas esse tipo de circunstância sempre nos magoa.
Então Cristo nos diz que temos que deixar todos os sentimentos de lado e assim virar a outra face, ou seja, perdoar e continuar cara a cara com o agressor dando-lhe a oportunidade de escolher se vai nos agredir novamente ou se vai ter uma atitude mais sensata da próxima vez. Mas independente da atitude desta pessoa, nos expomos ao risco de sofrer novamente e abrimos mão de algo importante para nós, a ‘vergonha na cara’. Ele nos cobra que sejamos bons com as pessoas assim como ele é. Diz que se alguém nos pedir o vestido, temos que dar também a capa. Se alguém nos obrigar a caminhar uma milha, temos que ir com esta pessoa duas milhas, dar a quem pedir e emprestar a quem quiser que empreste algo. É preciso amar também o inimigo e orar pelos que nos maltratam. Este evangelho parece duro e pesado demais e que vai além das nossas forças e possibilidades.
O problema é que aprendemos através das relações que temos ao longo da vida sobre a autovalorização do ser humano, quando na verdade somos uma pequena parte do reino de Deus. Atualmente nossa sociedade é antropocêntrica (o homem como o centro do universo) e não Cristocêntrica (Cristo o centro do universo), como deveria ser. O perdão como Cristo nos ensinou não faz sentido porque atribuímos valor demais a nós mesmos e não conseguimos enxergar nossa posição no reino de Deus. Se tivermos que perdoar mil vezes a mesma pessoa, teremos que fazer isto. Se tivermos que passar a humilhação de sermos motivo de riso por andar lado a lado com quem nos traiu, mesmo assim teremos que fazer isto. Se tivermos que ser considerados idiotas e tolos, que assim seja.

Temos que estar dispostos a estabelecer o reino de Deus nesta terra mesmo que isso nos custe a própria vida como custou a vida dos crentes da igreja primitiva. Quando entendermos a importância da entrega e da renúncia que precisamos fazer cotidianamente, mesmo que isso nos custe muito, estaremos entendendo a vontade do pai. E para termos um coração curado, não precisamos de sermões bonitos e entusiasmantes, ou motivadores. É preciso ser forte e tomar decisões difíceis que vão além das nossas necessidades e enxergar as consequências delas no reino espiritual. Assim seremos verdadeiramente servos do Deus Altíssimo e teremos, sim, um coração curado para glória do seu nome.