quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Deus não me deu ‘promessas’!

“Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam” I Coríntios 02:09.

                A palavra do Senhor nos diz que os falsos profetas enganam a muitos com palavras mentirosas e corrompem o povo de Deus. E suas principais ferramentas são as promessas, ou melhor, as falsas promessas que não vieram de Deus realmente. Mas todos nós temos promessas de Deus?
            De acordo com relatos de pessoas que afirmam ter promessas, elas acreditam que algo muito bom vai acontecer, algo extraordinário mudará radicalmente o curso de suas vidas. Existem promessas de riquezas, de ministério, de casamento, dentre outras. As promessas quanto a ministério, ou chamado, geralmente se referem a uma ideia futura de grande influência. Ninguém afirma ter um chamado para zelar e cuidar da igreja limpando o chão, ou cuidando das crianças no berçário, fazendo evangelismo de porta em porta. As promessas quanto a ministério, vem sempre com uma perspectiva de que a pessoa terá grande notoriedade e destaque no meio evangélico, como se isso tivesse alguma importância de fato.
            As promessas quanto a aquisição de bens materiais, nunca vem com a premissa de que será preciso compartilhar as riquezas com as pessoas necessitadas. Como Jesus poderia nos permitir ficar com tantas riquezas enquanto muitos padecem de fome? Suas palavras nos dizem isso: “Vendei o que tendes, e dai esmolas...” Lucas 12:33 a. “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam” Mateus 6:19. Enquanto as promessas de bens são para que venhamos a ajuntar riquezas e nos iludir com as coisas que este mundo nos pode oferecer, a palavra de Deus nos diz exatamente o contrário. 
            Existem as mais variadas e criativas promessas que podemos imaginar, mas todas com o mesmo intuito, massagear o ego das pessoas e persuadi-las a se desviarem do real propósito que Deus tem para elas. Em I Coríntios 02:01 Paulo deixa clara sua intenção e o caráter de suas pregações: “E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria”. Paulo não tinha intenções de persuadir as pessoas com palavras eloquentes ou de sabedoria humana, como ele mesmo fala no versículo 04 deste mesmo texto. Seu principal objetivo era ensinar aos crentes aquilo que eles precisavam entender para tornarem-se maduros espiritualmente: “Ora o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” I Coríntios 02:14.
            Precisamos avaliar o tipo de pregação que tem sido feita nos púlpitos de nossas igrejas. Que tipo de alimento nos tem sido ofertado como povo de Deus, cidadãos do céu que estão neste mundo de passagem e precisam de fortalecimento espiritual para lidar com as dificuldades encontradas aqui na terra. Não precisamos de palavras enganosas que nos iludam e nos façam sonhar com coisas desnecessárias.
Eu glorifico a Deus porque ele não me deu ‘promessas’. Eu não tenho promessas de riquezas, de ministério ou qualquer coisa do tipo. Quando Deus fala comigo, ele me dá ordens e não promessas. As promessas afagariam o meu ego, enquanto as ordens me mostram que eu sou serva, me mostram a minha posição diante de Deus. As promessas me fariam sonhar, enquanto as ordens me conduzem à obediência, me levam a cumprir a vontade de Deus na minha vida. As ordens me levam a colocar minha vida em ordem e corrigir o que está errado em mim, elas me conduzem a uma vida de santificação.
Deus deu promessas a Abraão, e isto era tudo o que ele tinha de Deus. Naquela época o Espirito Santo não habitava nas pessoas e era preciso que um anjo anunciasse tudo quanto Deus queria dizer, e tudo quanto faria. Apenas os profetas e os sacerdotes tinham o Espírito Santo e eram guiados por ele. Mas aos discípulos Jesus deu ordens: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura” Marcos 16:15, “...ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder” Lucas 24:49 b. As promessas que ele deu aos seus discípulos, era o envio do Consolador e a certeza da salvação, dentre outras relacionadas a vida espiritual dos mesmos.
Como podemos ver na Bíblia, Deus fez promessas a poucas pessoas, e ele tinha propósitos únicos como a criação de uma nação, Israel, através da obediência de Abraão; a provisão para o seu povo em tempos de crise, como quando usou José no Egito. Mas Jesus não fez grandes promessas como essas para seus discípulos, porque este é o tempo em que estamos gozando o cumprimento das promessas feitas no antigo testamento. Estamos vivendo essas promessas e desfrutando aquilo que Deus tem preparado desde os tempos de Abraão, estamos vivendo esta nova aliança de Deus com seu povo. Estamos no tempo da graça.
            Por mais que desejemos ser abençoados pelo Senhor, nossa principal motivação não deve ser o que vamos lucrar, ou de que forma vamos nos beneficiar. O fato de podermos nos relacionar com Cristo, e conhecê-lo intimamente é algo maior do que Abraão viveu e desfrutou nesta terra. Ele não viu o cumprimento da promessa a qual nós desfrutamos e mesmo assim desvalorizamos sempre que buscamos fábulas e estória enganosas para nossa satisfação.
            Somos chamados por Deus a uma vida consagrada, devota, de santificação, voltada para coisas que não conseguimos entender de forma natural, mas que o Espírito nos revela se formos verdadeiramente espirituais e estivermos dispostos a entender as coisas de Deus com maturidade.

                “Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente” Efésios 04:14.