“Porque ainda que
tivésseis dez mil aios em Cristo não teríeis contudo muitos pais; porque eu
pelo evangelho vos gerei em Jesus Cristo.” I Coríntios 4:15.
Os filhos
espirituais são gerados sempre que vidas se rendem aos pés de Jesus por
intermédio de quem orou, jejuou e batalhou no reino espiritual para que estas
vidas fossem salvas para glória de Deus. Não basta ganhar uma alma para Cristo se
não acompanhar seu crescimento e desenvolvimento até que esteja firmada e assim
permitir que o inimigo roube-a. Um exemplo que encontramos na Bíblia é Timóteo,
chamado de ‘filho amado’ por Paulo em uma carta. Mas temos um exemplo de um pai
biológico que não gerou seus próprios filhos no reino espiritual e não batalhou
por eles, Ezequias.
Vemos no livro do profeta Isaías no
capítulo 5 que tendo o rei Ezequias recebido o filho do rei da Babilônia em seu
palácio e mostrado todos os seus bens, o ouro, a prata, as especiarias e tudo
quanto se achava nos seus tesouros, foi informado pelo profeta Isaías que este
gesto não agradara a Deus e que tudo o que possuía, seria levado e seus filhos
seriam tomados para serem eunucos no palácio do rei da Babilônia. Para nossa
surpresa esta revelação do profeta não causou preocupação no rei Ezequias que disse:
“Boa é a palavra do Senhor que disseste. Disse mais: Porque haverá paz e
verdade em meus dias.” (Isaías 39:8). Sua prioridade era seu próprio bem estar,
sendo assim, o que acontecesse com seus filhos após sua morte não faria
diferença alguma para ele.
Antes deste
episódio o rei Ezequias fora informado pelo mesmo profeta que seus dias estavam
chegando ao fim e deveria preparar-se e preparar sua casa para isto, esta
revelação causou-lhe grande tristeza e humilhou-se na presença de Deus rogando
que tivesse misericórdia de sua vida e lhe acrescentasse mais alguns anos, este
pedido foi concedido pelo Senhor. Contudo, ao saber o que aconteceria aos seus
filhos e todo o sofrimento que eles enfrentariam não demonstrou tristeza alguma
e não rogou da mesma forma como fizera por sua vida. Ezequias era pai biológico
de seus filhos, e apenas isto. Muitos dos pais que fazem parte do corpo de
Cristo não se dão ao trabalho de gerar seus próprios filhos biológicos como
filhos espirituais no reino espiritual. E como podemos gerar filhos
espirituais?
Existem
muitas semelhanças quanto à concepção e criação de filhos espirituais e
naturais. Um filho espiritual deve ser gerado com dor. A dor do parto também é sentida
quando se gera uma vida no reino de Deus, pois cada alma que é livre da morte e
do pecado requer renúncias e comprometimento por parte daqueles que a geram. Os
cuidados devem ser diários com os filhos recém-nascidos em Cristo, sabendo que
seu alimento não pode ser sólido, e mesmo sendo líquido deve alimentar o
suficiente para que cresça forte e saudável. As noites mal dormidas de choro
por causa de cólicas ou coisas do tipo podem ser entendidas como as madrugadas
de intensas orações e clamor para que os percalços de sua jornada não afetem
esta alma que ainda esta se firmando.
As palavras
duras de repreensão e os castigos são usados quando já se tem idade suficiente para
entender e aprender a associar os ensinamentos de forma madura causando
crescimento verdadeiro. Os abraços de amor e palavras de afeto devem ser
constantes para que se entenda que mesmo que seu mundo esteja de cabeça para
baixo, existe esperança e há um motivo para se viver. A sinceridade e honestidade
de quem gera uma vida contribuem muito mais na formação do caráter de seus
filhos do que livros e pregações extensas e cheias de palavras bem ensaiadas
que seguem todos os padrões da homilética. As duvidas e medos, os acertos e
erros por parte dos pais na fé existem todo o tempo, e muitas vezes temos a
sensação de que tudo o que podemos fazer é orar e torcer para que dê tudo
certo.
Nem sempre
sabemos se o que estamos fazendo é realmente o certo e somos confrontados com
nossas dificuldades e imperfeições todos os dias. Gerar uma vida como pais
naturais não é uma tarefa fácil e fazê-lo no reino espiritual é um pouco mais
difícil, mas deve ser feito e esta tarefa não compete apenas aos pastores e líderes
da igreja, e sim à todo o corpo de Cristo. Precisamos gerar vidas tanto
daqueles que perecem espalhados pelo mundo, quanto dos nossos próprios filhos
que geramos naturalmente. Não podemos fazer como o rei Ezequias que não se
importou e viveu tranquilamente até seus últimos dias de vida, mesmo sabendo
que seus filhos teriam um futuro de escravidão.
Que o Senhor
nos capacite para esta missão para a qual nos chamou, dando-nos sabedoria em
tudo, para que nossos filhos nos tomem como exemplos e que o legado que deixarmos
seja potencialmente importante para o reino de Deus.

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