“Ora, antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua
hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os seus, que estavam no
mundo, amou-os até o fim... Ora se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós
deveis lavar os pés uns aos outros.”
(João 13:1 e 14)
Temos o hábito de ler a Bíblia e
meditar nos ensinamentos de Jesus separadamente. Cada ensinamento tem uma
correlação e não se pode aprender e praticar uns e não outros. Se estamos em
Cristo precisamos viver o seu evangelho na íntegra, não conseguiremos ser exatamente
iguais a ele, mas imitar seus passos e tê-lo como referencial constante em
nossas vidas, demonstra a importância que ele tem para nós.
Jesus disse
que quando alguém nos ferir na face, devemos dar a outra. Esse gesto é nobre e
demonstra que realmente fomos transformados pelo Senhor. Dar a outra face
requer maturidade porque não se trata de perdoar e dar as costas para a pessoa
que nos feriu, e sim permanecer frente a frente com ela, correndo o risco de
ter a outra face esbofeteada da mesma forma. Liberar perdão e abençoar a vida
de pessoas que nos humilharam e ofenderam é bastante fácil, no entanto,
demonstrar perdão ao ponto de poder sofrer a mesma afronta, demonstra amor
genuíno. E se não amarmos nossos irmãos que vemos, como amaremos a Deus que não
vemos? Amar não é escolher como tratar as pessoas e como nos relacionarmos com
elas minimizando ao máximo as possibilidades de nos decepcionarmos com elas
novamente, amar é estar perto o suficiente para sofrermos o dano de ter a face
marcada e mesmo assim mostrar que a outra ainda está ilesa e estamos dispostos
a correr este risco mais uma vez.
Obedecer aos
mandamentos de Jesus não é fácil, principalmente quando temos que nos aniquilar
e colocar nossas vontades de lado, abrir mão de fazer nossas próprias escolhas
para decidir por fazer o que não queremos. Dar a outra face é um gesto que nos
mostra que não somos capazes de amar, pois sozinhos não faríamos esta escolha.
Quando decidimos agir assim percebemos que não somos bons o suficiente para fazer
isso, mas Cristo que é soberanamente bom para nos exortar a tomarmos esta
decisão e o fazemos apenas por obediência, pois nossa vontade é dar o troco e
desejar que a outra pessoa sofra o dano que sofremos.
O que
diremos do gesto de Jesus quando lavou os pés dos seus discípulos? Mesmo sendo
mestre e Senhor se humilhou e nos ensinou que aquele que está em posição
superior não se exalte, antes tenha os outros com estima o suficiente para
honrá-los desta forma. Há pessoas que ultrapassam nossa cota de paciência e
exigem de nós um grande esforço para liberar perdão, quando erram diversas
vezes e não entendem que o princípio de dar a outra face está sendo praticado
por nós mas não está sendo respeitado por elas. Mas quando lavamos os pés do
nosso próximo, dizemos para ele que esta relação ultrapassa a simples liberação
de perdão e que não apenas daremos a outra face, mas o honramos reconhecendo
que existe uma aliança inquebrável entre nós.
A igreja de
Cristo está doente porque prega o perdão, mas não o vive, não dá a outra face e
uns não lavam os pés dos outros, antes cada um quer honra para si e não
considera os outros superiores. Se entendermos este princípio de dar a outra
face e sua ligação com o de lavar os pés acabando com as acusações do diabo e
enfraquecendo seu campo de ação, poderíamos declarar com mais precisão que
somos verdadeiramente um corpo unido. Esqueçamos as desculpas e as razões que
temos para nos manter irados. Deixemos de lado todo orgulho e soberba para que
não nos afastem do nosso galardão. Amemos a todos com sinceridade e pureza de
coração. Se amarmos uns aos outros estaremos amando a Jesus, autor e consumador
da nossa fé.

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