Deus não me deu ‘promessas’!
“Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não
ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que
o amam” I Coríntios 02:09.
A palavra do Senhor nos diz que os
falsos profetas enganam a muitos com palavras mentirosas e corrompem o povo de
Deus. E suas principais ferramentas são as promessas, ou melhor, as falsas
promessas que não vieram de Deus realmente. Mas todos nós temos promessas de
Deus?
De acordo
com relatos de pessoas que afirmam ter promessas, elas acreditam que algo muito
bom vai acontecer, algo extraordinário mudará radicalmente o curso de suas
vidas. Existem promessas de riquezas, de ministério, de casamento, dentre
outras. As promessas quanto a ministério, ou chamado, geralmente se referem a
uma ideia futura de grande influência. Ninguém afirma ter um chamado para zelar
e cuidar da igreja limpando o chão, ou cuidando das crianças no berçário,
fazendo evangelismo de porta em porta. As promessas quanto a ministério, vem
sempre com uma perspectiva de que a pessoa terá grande notoriedade e destaque
no meio evangélico, como se isso tivesse alguma importância de fato.
As promessas
quanto a aquisição de bens materiais, nunca vem com a premissa de que será
preciso compartilhar as riquezas com as pessoas necessitadas. Como Jesus
poderia nos permitir ficar com tantas riquezas enquanto muitos padecem de fome?
Suas palavras nos dizem isso: “Vendei o que tendes, e dai esmolas...” Lucas
12:33 a. “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo
consomem, e onde os ladrões minam e roubam” Mateus 6:19. Enquanto as promessas
de bens são para que venhamos a ajuntar riquezas e nos iludir com as coisas que
este mundo nos pode oferecer, a palavra de Deus nos diz exatamente o contrário.
Existem as
mais variadas e criativas promessas que podemos imaginar, mas todas com o mesmo
intuito, massagear o ego das pessoas e persuadi-las a se desviarem do real
propósito que Deus tem para elas. Em I Coríntios 02:01 Paulo deixa clara sua
intenção e o caráter de suas pregações: “E eu, irmãos, quando fui ter convosco,
anunciando o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de
sabedoria”. Paulo não tinha intenções de persuadir as pessoas com palavras
eloquentes ou de sabedoria humana, como ele mesmo fala no versículo 04 deste
mesmo texto. Seu principal objetivo era ensinar aos crentes aquilo que eles
precisavam entender para tornarem-se maduros espiritualmente: “Ora o homem
natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem
loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” I
Coríntios 02:14.
Precisamos
avaliar o tipo de pregação que tem sido feita nos púlpitos de nossas igrejas.
Que tipo de alimento nos tem sido ofertado como povo de Deus, cidadãos do céu
que estão neste mundo de passagem e precisam de fortalecimento espiritual para
lidar com as dificuldades encontradas aqui na terra. Não precisamos de palavras
enganosas que nos iludam e nos façam sonhar com coisas desnecessárias.
Eu glorifico a Deus porque ele não me
deu ‘promessas’. Eu não tenho promessas de riquezas, de ministério ou qualquer
coisa do tipo. Quando Deus fala comigo, ele me dá ordens e não promessas. As
promessas afagariam o meu ego, enquanto as ordens me mostram que eu sou serva,
me mostram a minha posição diante de Deus. As promessas me fariam sonhar,
enquanto as ordens me conduzem à obediência, me levam a cumprir a vontade de
Deus na minha vida. As ordens me levam a colocar minha vida em ordem e corrigir
o que está errado em mim, elas me conduzem a uma vida de santificação.
Deus deu promessas a Abraão, e isto
era tudo o que ele tinha de Deus. Naquela época o Espirito Santo não habitava
nas pessoas e era preciso que um anjo anunciasse tudo quanto Deus queria dizer,
e tudo quanto faria. Apenas os profetas e os sacerdotes tinham o Espírito Santo
e eram guiados por ele. Mas aos discípulos Jesus deu ordens: “Ide por todo o
mundo, pregai o evangelho a toda a criatura” Marcos 16:15, “...ficai, porém, na
cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder” Lucas 24:49 b.
As promessas que ele deu aos seus discípulos, era o envio do Consolador e a
certeza da salvação, dentre outras relacionadas a vida espiritual dos mesmos.
Como podemos ver na Bíblia, Deus fez
promessas a poucas pessoas, e ele tinha propósitos únicos como a criação de uma
nação, Israel, através da obediência de Abraão; a provisão para o seu povo em
tempos de crise, como quando usou José no Egito. Mas Jesus não fez grandes
promessas como essas para seus discípulos, porque este é o tempo em que estamos
gozando o cumprimento das promessas feitas no antigo testamento. Estamos
vivendo essas promessas e desfrutando aquilo que Deus tem preparado desde os
tempos de Abraão, estamos vivendo esta nova aliança de Deus com seu povo. Estamos
no tempo da graça.
Por mais que
desejemos ser abençoados pelo Senhor, nossa principal motivação não deve ser o
que vamos lucrar, ou de que forma vamos nos beneficiar. O fato de podermos nos
relacionar com Cristo, e conhecê-lo intimamente é algo maior do que Abraão
viveu e desfrutou nesta terra. Ele não viu o cumprimento da promessa a qual nós
desfrutamos e mesmo assim desvalorizamos sempre que buscamos fábulas e estória
enganosas para nossa satisfação.
Somos
chamados por Deus a uma vida consagrada, devota, de santificação, voltada para
coisas que não conseguimos entender de forma natural, mas que o Espírito nos
revela se formos verdadeiramente espirituais e estivermos dispostos a entender
as coisas de Deus com maturidade.
“Para
que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de
doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente”
Efésios 04:14.
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