segunda-feira, 18 de março de 2024

 

Guarda o teu coração!

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.” Provérbios 4:23.

 

Em certo momento na vida, percebemos que temos opinião formada a respeito de muitas coisas e nos sentimos bem com isso. De alguma forma nos sentimos como pessoas bem resolvidas, que sabem o que querem e se enxergam como pessoas com personalidade e posicionamento diante do mundo, das pessoas e de tudo. Conseguimos discernir entre o bem e o mal, o certo e o errado, até arriscamos definir quem somos. Ledo engano!!

Aos poucos opiniões parecem ser apenas opiniões, e as pessoas com quem conversávamos, ou não fazem mais parte do nosso convívio, ou mudaram muito, assim como nós. Como Jó disse: “Lembra-te de que a minha vida é um sopro” Jó 7:7a. À medida que o tempo passa percebemos que o mundo é cheio de pessoas confusas, com teorias vãs, respostas vazias. Mas e a sabedoria, como obter? “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida” Tiago 1:5. Isso nos faz perceber que precisamos pedir, esperar, criar expectativas de uma sabedoria que não está em nós, porque não vem de nós. É dom de Deus.

Essas indagações que fazemos ao perceber que nossa melhor linha de raciocínio é a maior insensatez que possa existir, nos faz refletir sobre quão pequenos e frágeis somos diante dos problemas, diante dos percalços da vida e até diante de nós mesmos. A crise existencial parece fazer parte da vida adulta enquanto nos desdobramos nas inúmeras tarefas e obrigações a cumprir ao longo de 24 horas de dias que parecem durar muito menos. Nos sentimos incapazes quando não conseguimos dar conta de tudo, nos sentimos infelizes quando não conseguimos mudar nossa realidade, nos sentimos frustrados quando vemos os anos passando e as conquistas mais difíceis de serem alcançadas. Daí percebemos que não importa ter opinião formada, entender de qualquer coisa, por mais importante que seja. Quantas vezes precisamos parar e recapitular nossa história de vida, repensar nossas escolhas, e tentar encontrar respostas que não sabemos se existem?

Já parou para pensar que quando estamos em crise emocional é muito difícil enxergar a realidade e costumamos somatizar tudo? Criamos os nossos "bichos de sete cabeças”. Mas a verdade é que enquanto estivermos imersos em pensamentos profundos e não conseguirmos respostas, o vazio se estende. Depois de toda a tempestade, as coisas fazem mais sentido e percebemos como é difícil lidar com a nossa própria mente quando está confusa e instável. Isso acontece com todos, não somos exceção à regra.

Perceber que não se tem resposta e que temos um longo caminho a percorrer, muitas coisas a aprender, outras a desapegar, faz parte desse processo de amadurecimento. Perceber que somos mais vulneráveis do que achávamos nos ajuda a entender nossas limitações e perceber do que precisamos e o que precisamos mudar. A maior dificuldade que possamos enfrentar, talvez seja entender nossos próprios sentimentos, mas isso é importante de se fazer. Certa vez, quando trabalhava em uma escola acompanhando uma criança com autismo, vi a professora trabalhar o emocional de seus alunos, pois todos demonstravam irritabilidade e dificuldade de lidar com os próprios sentimentos, descontando em seus colegas. Ela contou-lhes a estória “O monstro da Cores” de Anna Llenas, uma estória em que um monstro muda de cor conforme tem sentimentos diferentes. Então ela pediu que seus alunos dissessem como se sentiam e porque tinham aqueles sentimentos, isso foi muito revelador. As crianças conseguiram explicar sentimentos que carregavam todos os dias e o que aconteceu com elas para se sentirem daquele jeito. Algumas presenciavam brigas familiares, outras sofriam abandono. Elas explicavam seus sentimentos voluntariamente e se emocionavam, mas pareciam aliviadas ao fazê-lo.

Muitas vezes me espelho naquela experiência e me pego vivendo como se o que eu menos preciso me preocupar é com os meus sentimentos e não percebo como eles me afetam. Então paro, tento entender o que estou sentindo e porque estou sentindo, tento explicar para mim mesma e vejo que alguns sentimentos não preciso carregar, alguns pensamentos não devo ter. Então as coisas começam a fazer mais sentido e a vida fica mais leve do que antes. Não temos respostas para tudo e precisamos reconhecer que estamos aprendendo a cada dia.

Precisamos saber que é normal se sentir impotente, mas não é normal se aniquilar por causa disso, é normal ficar triste ou sentir raiva, mas temos que pensar sobre o que vamos fazer com esses sentimentos e decidir até que ponto conseguimos lidar com eles e a partir de quando vamos buscar ajuda.  Não estamos sozinhos, somos membros do corpo de Cristo: “Não podem os olhos dizer à mão: Não precisamos de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não preciso de vós” I Coríntios 12:21. Da mesma forma não podemos caminhar sozinhos e carregar todos os fardos pesados porque não queremos incomodar os outros. Pedir ajuda, aconselhamento, apoio, faz parte de ser igreja. Assim como socorrer àqueles que pedem ajuda.

O nosso coração pode nos direcionar para uma vida próspera ou para a ruína. Muitos cristãos andam perdidos em meio à problemas emocionais e sentimentos com os quais não conseguem lidar. Uma recomendação muito importante: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.” Provérbios 4:23. Precisamos cuidar do nosso coração, e temos um Deus em nossas vidas que é soberano e que conhece os nossos corações e tem a resposta para qualquer pergunta. Deus nos sonda e nos conhece, conhece todos os meandros da nossa existência. E quando tivermos dificuldade de ouvir a voz de Deus, podemos pedir ajuda e aconselhamento para que pessoas que Deus preparou, possam nos orientar quando as coisas estiverem confusas e difíceis de lidar. Pedir ajuda requer humildade e pode não ser algo fácil de se fazer, mas às vezes é imprescindível e pode nos livrar de cair de penhascos que não estamos conseguindo enxergar.

 

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