“Cantem a Deus, louvem
o seu nome, exaltem aquele que cavalga sobre as nuvens; seu nome é Senhor!
Exultem diante dele!” Salmos 68:04.
Uma coisa é certa, já nascemos com o
desejo de adorar e adoramos a Deus desde que nascemos. A palavra de Deus nos
diz que da boca das crianças e dos que mamam Ele suscita o perfeito louvor. O
cristão que não sente o desejo de adorar e prostrar-se na presença Daquele que
é digno de receber honra, não nasceu de novo ou esqueceu-se completamente do
primeiro amor. Render-se aos pés de Jesus é a melhor sensação, esse é o melhor
momento de nossas vidas, quando podemos nos afastar de tudo e de todos para
estar a sós com Jesus. Só então nos sentimos completos, realizados, plenos. A
satisfação de fazer parte do reino de Deus e ter comunhão com o próprio Rei é
única, exclusiva.
Quando estamos
apaixonados costumamos suspirar e pensar na pessoa amada em todo o tempo.
Contamos os minutos, os segundos para vê-la, com aquele frio na barriga devido
à ansiedade. Gastamos tempo nos arrumando, pensamos nas palavras que diremos
para tocar o coração de quem amamos. Quando juntos, aproveitamos cada momento e
sempre nos despedimos com o coração partido. Os momentos agradáveis que
desfrutamos com essa pessoa são lembrados e passam em nossas mentes como
flashbacks. Procuramos oferecer à pessoa amada o que temos de melhor do nosso
tempo, dos nossos recursos com presentes, e dizemos palavras de amor para
expressar o que ela realmente significa para nós.
O amor que
sentimos por Deus, deve nos fazer suspirar, sonhar, ansiar por aquele momento
único em que sentimos sua presença e dizemos palavras de amor como se
sussurrássemos ao seu ouvido para ninguém mais ouvir. Em outros momentos
queremos gritar aos quatro cantos do mundo para que todos ouçam e saibam quem
Ele é e o quanto o amamos. Quando estamos apaixonados por Ele os cultos não são
enfadonhos e não vamos à igreja para bater o ponto ou para que ninguém faça
comentários negativos a nosso respeito. Empolgamo-nos em cada reunião e em cada
momento de comunhão, nos alegramos por poder nos reunir na casa de Deus para
adorá-lo. Também aproveitamos os momentos em que ninguém está em casa ou quando
todos estão dormindo e o silêncio impera, para falar com Ele e ouvir sua voz.
Gostamos de sentir um arrepio leve que começa na espinha, e gostamos de sentir
o fogo ardendo levando-nos a pular e adorar de forma extravagante.
Mas em algum
momento de nossas vidas os momentos de comunhão nos parecem iguais aos outros
que já existiram e as palavras não fluem da mesma forma como antes. Nos
sentimos repetitivos e dizendo sempre as mesmas palavras, não encontramos nada
novo, questionamos a autenticidade da nossa adoração e tememos não ser ouvidos
como já fomos um dia. O que dizer quando parece que todas as palavras já foram
ditas? As declarações de amor acabam sendo repetidas, as demonstrações de
admiração não são inusitadas, não há nada novo ou surpreendente. Sabemos que
Deus ouve, sabemos que ele conhece os nossos corações, mas não queremos nos
acostumar a dizer sempre as mesmas coisas e fazer tudo como sempre fizemos,
queremos que aja algo novo acontecendo e queremos ter experiências novas.
Queremos que Deus receba uma adoração genuína que brote no fundo do coração,
não algo ensaiado e repetitivo.
Então nos
deparamos com uma realidade que não muda e com algo que será sempre igual, o
fato de que Deus continua sendo Santo, sua grandeza não muda, seu poder
permanece o mesmo e nós é que estamos em constante transformação e crescimento,
por isso buscamos novas emoções. Olhamos e vemos quão grande e poderoso Ele é,
e tudo o que temos para dizer é: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus todo poderoso.
E repetimos isso até não conseguirmos mais pronunciar palavra alguma, e o
silêncio aparece de mansinho mostrando-nos que está tudo como sempre esteve, a
presença de Deus, o aconchego Dele nos envolvendo.
Nada mudou,
o coração de quem ama a Deus permanece o mesmo diante de um Deus que continua conosco
sem que aja marasmo, monotonia. O prazer de desfrutar da presença de Deus não é
enfadonho. Se tivermos que dizer o que já foi dito, diremos e nos deleitaremos
a cada palavra, a cada sílaba pronunciada. Comtemplar a majestade do Altíssimo
nos faz ter um novo ângulo de visão e uma nova satisfação em cada momento de
comunhão. As palavras que já foram ditas e repetidas várias vezes, voltam e
expressam os mesmos sentimos e outros novos que surgem a cada dia nos fazendo
suspirar como se o fizéssemos pela primeira vez. Acordar e estar com Jesus,
voltar nossos pensamentos para Ele enquanto olhamos os raios de sol que
iluminam o início de uma nova manhã, não pode ser feito da mesma forma todos os
dias, por isso fazemos como se fosse a primeira vez. Olhar o entardecer e o
anoitecer e cantar canções de amor todos os dias, não pode ser um gesto pobre
em sua simplicidade, mas grande e feito como se fosse feito pela primeira vez.
Tudo se
torna novo e tudo o que é novo remete ao que já foi feito ou se assemelha ao
que já passou. As palavras que outrora regavam os momentos sublimes são ditas
novamente tornando os momentos de agora tão sublimes como antes. A majestade, o
poder e a grandeza de Jesus são suficientes para nos surpreender e nos fazer enxergar
que palavras são apenas palavras e podem ser repetidas quantas vezes houver a
necessidade de dizer à Ele o quanto o amamos e o quanto desejamos estar em sua
presença.

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