Receber
ou acolher?
“Disse-lhe pois a mulher
samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher
samaritana? (porque os judeus não se comunicam com os samaritanos).” João 4:9
A diversidade de opiniões, de estilo
de vida, de escolha sexual, de comportamento, tem se tornado cada vez mais
extensa, nesses dias. Isso faz com que o mundo pareça ainda mais diferente da
igreja do que nunca. Mas a questão que não podemos deixar de analisar é, se a
igreja está preparada para receber dentro de suas quatro paredes, pessoas tão
diferentes de nós. Será que elas se sentem acolhidas, bem-vindas e até mesmo
amadas quando decidem fazer uma visita e conhecer alguma igreja?
Já ouvi relatos de pessoas que dizem
ter se sentido julgadas ao visitarem uma igreja. Se pensarmos bem, não é
preciso olhar de forma estranha para uma pessoa que tenha tatuagens, ou
peircing, ou use roupas decotadas. Basta não olhar para ela, ou falar apenas
por educação enquanto todos estiverem se cumprimentando e sendo gentis uns com
os outros. E falando a verdade, qualquer pessoa se sente assim em um ambiente em
que todos estão entrosados e ela é apenas um estranho no ninho. Saber acolher
não é não julgar ou não expor as pessoas a constrangimento. Saber acolher é
abraçar e demonstrar interesse pelo outro. É fazer mais que um contato
amigável, é demonstrar que existe um espaço para ela naquele lugar e deixa-la à
vontade para que volte quando desejar.
Saber acolher não tem a ver com o
que não fazemos, mas com o que deixamos de fazer. Não adianta não olhar para
que a pessoa não se sinta observada, se trata de olhar nos olhos. Não se trata
apenas de ser gentil e cumprimentar, dizendo algumas palavras saudosas, mas de
falar a verdade sobre ela ser realmente importante naquele lugar. A verdade é
que podemos até não fazer por mal, mas fazemos. Muitas vezes vamos à igreja por
hábito, estamos acostumados a frequentar. Observamos se o louvor está bom, se a
palavra foi legal, quais os irmãos que faltaram. Mas deixamos de perceber aquelas
pessoas que colocaram suas expectativas ao procurar uma igreja. Não observamos
aqueles que chegaram, com muita dificuldade, até aquele lugar em busca de uma
resposta. Diante de um mundo tão caótico, muitos procuram numa simples visita,
algo que possa preencher um vazio em suas vidas. Mas se deparam com uma
barreira social que diz que elas não são santas o suficiente para estarem ali,
mesmo que essa barreira exista apenas em suas mentes.
Por isso o Senhor nos chamou quando
nos incumbiu da missão de pregar o evangelho, para quebrarmos paradigmas. O
mundo acha que nós crentes, somos arrogantes e nos consideramos superiores aos
outros. Precisamos mostrar o que sentimos e quanto estamos dispostos a olhar
para os outros com amor. Precisamos estar prontos para ouvir os pedidos mudos
de socorro daqueles que se sentem constrangidos para externá-los. Precisamos
parar de ver a igreja como nossa segunda casa onde vamos para nos sentir bem ou
para rever os amigos. Quando adentrarmos as portas da casa do Senhor, nos
lembremos daqueles que a procuram como um refúgio de suas próprias dores.
Estejamos prontos para ajudar, sempre atentos aos que chegam, depois de lutar
contra seus próprios medos e receios de serem confrontados por seus próprios
pecados.
Esse foi um dos textos mais difíceis
que escrevi. Mais complicado no processo de tentar expressar todos os sentimentos e
transformá-los em palavras. Sinto pesar e tristeza por todas as pessoas que
frustradas não retornam para o meio cristão por acreditarem que não são
aceitas. Cada vez que um pecador se dirige à igreja, ele travou uma batalha
contra sua própria carne, contra demônios, contra as palavras de familiares e
amigos e contra seus próprios medos. Talvez esta seja uma oportunidade única
para o resgate de uma alma. E quanto vale uma alma para você?

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