segunda-feira, 9 de maio de 2016

Considerando os outros superiores a nós.
(Para ter o coração curado)


“Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmos.” Filipenses 2:3

            Esta ideia de considerar os outros superiores a nós é um tanto desafiadora. Ouvimos desde pequenos que ‘todas as pessoas são iguais’, que ‘todos têm o mesmo valor’, que ‘ninguém é melhor que ninguém’. Fomos ensinados que independente de classe social, cor da pele, raça ou o que quer que seja, somos todos iguais. Então abrimos a Bíblia e vemos o Apóstolo Paulo dizer que nós temos que considerar os outros superiores a nós mesmos. Isso é bastante contraditório com o que pensamos e com a forma que enxergamos as coisas.          
            Se tentarmos entender isto para colocar em prática, precisamos nos esforçar para chegar a uma conclusão mais próxima possível da vontade de Deus. É preciso abrir mão dos nossos conceitos e valores, das nossas convicções e nos esforçarmos ainda mais para colocar esse ideal em prática. Mas precisamos aprender a nos lançar desafios todos os dias, pois ser cristão é um desafio. Nos acomodamos por viver em uma sociedade que não lança os cristãos na arena com leões, mas nos esquecemos que viver com Cristo é conflitante com os valores do mundo. Praticar as verdades que encontramos na palavra de Deus pode parecer fácil se a lermos e vivermos superficialmente, se acreditarmos que ir à igreja aos domingos é suficiente e Deus deve se orgulhar muito de nós como seus filhos, por sermos tão assíduos aos cultos. Mas não é bem assim.
            Temos lido e vivido a palavra de Deus acreditando que tudo o que fazemos que seja notável aos olhos dos outros é suficiente, mesmo que esta palavra não faça parte de nós e não a amemos ou gastemos tempo tentando entendê-la e analisando de que forma podemos vivê-la. Deus não quer migalhas, ele quer que estejamos comprometidos totalmente com ele e que a aliança que existe entre nós se estenda para os demais relacionamentos que temos. Considerar os outros superiores a nós é um desafio que precisamos nos lançar a cada dia.
            Quando acreditamos que a verdade é sempre necessária, estamos considerando os outros superiores a nós. Quando decidimos não falar da vida alheia para não espalhar boatos, consideramos os outros superiores a nós. Quando somos gentis e oferecemos nosso assento para outra pessoa independente de sua idade, sexo, etc, consideramos esta pessoa superior, porque acreditamos que podemos ficar em pé, mas ela não. Quando pedimos perdão mesmo estando com a razão em uma desavença, e aceitamos que o outro acredite estar certo, estamos considerando-o superior a nós. Quando dividimos o que temos com os nossos irmãos acreditamos que eles são superiores a nós, acreditamos a tal ponto de abrirmos mão dos nossos recursos e de algo que batalhamos para comprar e do qual necessitamos também. Existem infinitas situações em que podemos considerar outra pessoa superior a nós.
            Considerar alguém superior não diminui o valor que temos, mas nos conduz a uma vida cada vez mais simples. Precisamos entender que a porta é estreita e que devemos nos desapegar do orgulho, das riquezas, da soberba e de tudo o que nos impede de adentrar os portões celestiais. Diferente de como somos como pais, Deus não espera que sejamos os mais inteligentes, os mais ricos, os mais bonitos, ele espera que nos pareçamos mais com Cristo. Esta verdade nos permite ter o coração curado porque entendemos que não podemos esperar que o mundo seja gentil conosco para sermos felizes. Temos que ser gentis mesmo que recebamos desaforos em troca, mesmo que soframos perseguições, ou ingratidão.

            Esta é a verdade que liberta. Temos que deixar a mágoa, a dor, a tristeza de lado. Temos de deixar os nossos corações que foram amarrotados pelo mundo nas mãos do nosso Salvador, para que ele o restaure e nos fortaleça nesta missão de ser luz em meio às trevas, de retribuir o mal com o bem. Que o Senhor nos abençoe ricamente e nos capacite a entender sua vontade, para glória do seu nome.     

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